Exorbitância de ganho dos bancos
Tudo bem se uma empresa tem lucros fabulosos mas tal não prejudica a atividade econômica e a vida das pessoas. Não é o caso dos bancos, dos quais a maioria das pessoas necessita, porque é a eles que uma empresa ou cidadão em apuros têm de recorrer e onde as contas, em grande parte, são pagas e recebidas. São esses estabelecimentos, num país com quase 1/4 da população vivendo na penúria, que tiveram no primeiro trimestre deste ano um aumento de 52% nos seus lucros, com relação ao mesmo período do ano passado. O elevado ganho é oriundo de operações financeiras e do extenso rol de tarifas. Na divisão desse bolo, também entre os bancos há disparidade, porque os cinco maiores dentre os 106 que operam no País abocanharam 69%, e se forem incluídos os outros cinco maiores, na seqüência, esse porcentual sobe para 83%. Não estão incluídos entre estes ganhadores de tanto dinheiro os bancos de desenvolvimento e de investimentos e as cooperativas de crédito. Estes lucraram menos. O ganho extraordinário do sistema bancário se deve aos elevados juros praticados no País, incluindo a taxa Selic, que hoje está em 19,75%, com a média de empréstimos comuns girando em torno de 47% ao ano, depois da elevação de 2 pontos nesses três meses. Como, pelas necessidades das empresas e das pessoas físicas, houve um aumento de procura desse dinheiro caríssimo e barato para os bancos, que pagam 1,1% ao mês nas captações os lucros também aumentaram de volume. Com os bancos tendo o controle desse dinheiro caro e com a concentração de renda do Governo por via da elevada carga tributária, a moeda escasseia no meio circulante, e a que tem de ser buscada nos bancos, pelo empresário, encarece o produto e pode levá-lo à falência. O Governo, portanto, não pode acenar com sonhos de desenvolvimento se essa política monetária for mantida. A justificativa para a manutenção do juro alto e a obsessão pelo controle da inflação por via da contenção do consumo e esta paralisa o sistema de produção de bens e serviços e traz na esteira a retração e a miséria social. De sua vez, a alta taxa de impostos (e da quantidade deles) é mantida para cobrir os encargos governamentais e, por extensão, também a farra pública representada pelos gastos excessivos e supérfluos, pelo esbanjamento, pelo desperdício e pela corrupção. Tudo isso não é fato novo mas herança antiga, e explica porque o Brasil é uma nação ainda pobre habitando um país rico de tanta desigualdade, porque 1% dos segmentos prósperos detêm renda equivalente à da parcela formada pelos 50% mais pobres. Difícil pensar desenvolvimento sem a correção dessas anomalias.





