Existem métodos de controle para se atingir a consciência
Segundo Robert Waggoner existem dois métodos para se atingir a consciência durante os sonhos, sem a necessidade do novo equipamento. Ele acrescenta que em qualquer dos dois casos é preciso muito tempo de prática. E mesmo assim quem tem o hábito de praticar os exercícios consegue atingir os sonhos lúcidos de uma a três vezes em um mês.
Método Castañeda - Segundo Waggoner é o método mais simples e foi descrito num livro de Carlos Castañeda. A técnica consiste em, antes de dormir, escolher um objeto ou uma parte do corpo, como as mãos. A pessoa deve se concentrar nas mãos e dizer para si mesma que vai sonhar com elas. A chance de que a imagem surja na mente aumenta e, quando as mãos aparecerem, o indivíduo se dá conta de que está sonhando e pode interagir.
Mild - A sigla em inglês se refere à técnica de indução mnemônica de sonhos lúcidos. Consiste em, ao acordar no meio da noite, tentar se lembrar do último sonho e se imaginar consciente nele. Depois dizer que ficará lúcido no sonho seguinte. É provável que o mesmo sonho seja recuperado onde parou.
Dormir deveria ser um verbo conjugado na escola. É o que diz Sidarta Ribeiro. Ele conta que as sonecas têm efeitos benéficos. Tanto que em Nova York já existem cabines de power-naps, espaços reservados a fortuitos cochilos de não mais de meia hora: Leonardo da Vinci fazia isso. Ele dormia pouco durante a noite, mas tirava várias sonecas ao longo do dia. Para algumas tarefas, uma soneca tem efeito benéfico. Acredito que em breve as escolas verão o benefício da soneca e terão espaços para isso. Mas é claro que há outros fatores envolvidos no fortalecimento da memória.
Isso não quer dizer que quem estuda à noite e vai dormir logo em seguida tenha vantagem em relação a quem estuda de manhã.
É justamente ao contrário, diz Ribeiro. Quem estuda no fim do dia leva enorme desvantagem porque o organismo já está fatigado. Quem leva vantagem é quem estuda de manhã, chega em casa e tira uma soneca.
Para o neurocientista, a compreensão dos sonhos pode ajudar no desenvolvimento cognitivo. Para ele, sonhos tidos como proféticos podem ser apenas quebra-cabeças montados pelo cérebro durante a noite.
O que acontece é que nós reestruturamos a memória e, a partir daí, das imagens que já conhecemos, temos condições de criar idéias novas. É do sono que vêm alguns dos maiores insights da Humanidade. Kekulé, o cientista que descobriu a estrutura do benzeno, fez isso depois de sonhar com uma cobra devorando o próprio rabo. Ele já sabia que a molécula tinha seis carbonos, mas não via como poderiam se encaixar. Depois do sonho, ele descobriu que a estrutura era circular. Esse mecanismo é misterioso. Mas estudos preliminares indicam que isso se daria no sonho REM, em que a reverberação é mais caótica. O sonho serve para o aprendizado de comportamentos complexos. Simulamos passado e futuro. Nos animais, os sonhos são muito mais simples. Os problemas deles são concretos. Todos os dias o animal acorda e tem que se preocupar em conseguir comida, em fugir de um predador. Eles têm sonhos literais. Nós temos problemas menos diretos, mais sutis. Portanto, nossos sonhos são muito mais complicados do que os dos animais. Mas somos capazes de sonhar por um mês com assaltos se sofrermos uma ação violenta. E projetamos também: sonhamos com uma prova de vestibular semanas antes, explica o especialista. (Agência Globo)





