Exigir graduação é um filtro
Para quem contrata, a lógica usada para exigir um diploma, mesmo em funções para as quais antes não era requisito, é clara: quem cursou faculdade acaba escrevendo e lendo melhor, consegue se expressar com mais facilidade e tem mais habilidades para fazer pesquisas ou procurar dados.
''Exigir diploma é também um filtro. Se a empresa abre uma vaga para auxiliar de escritório, vão chegar 5 mil currículos. Se ele pede diploma, chegam 500. É mais fácil e mais barato escolher'', diz Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação Executiva.
E isso é feito porque há mão-de-obra disponível qualificada: desde 2004, mais de 620 mil pessoas concluem um curso superior no País ao ano - em 1994 esse número estava em torno de 245 mil.
Como consequência, tem crescido o número de pessoas com ensino superior desocupadas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de ainda ser muito mais baixo do que o número de pessoas desocupadas sem ensino superior. O cenário é mais complexo para os jovens, que disputam mercado com profissionais mais experientes.
Mesmo com queda na taxa de desemprego e a retomada da atividade econômica dos últimos anos, 32% dos jovens entre 16 e 24 anos estão desempregadas, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Aos 24 anos, o bacharel em Direito Rodrigo Pereira Souza tem dúvidas se seguirá estudando para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). ''Prestei duas vezes e não consegui passar ainda, estou desanimando'', conta ele.
Durante a maior parte do curso, ele trabalhou numa lan house, como atendente. Agora, juntou dinheiro para abrir uma com um primo.''Não acho que vou ser advogado, mas uso o que aprendi na lan house e na faculdade agora que estou abrindo meu negócio'', conta ele. ''Entendo melhor os papéis, as exigências. De repente é o caminho para mim.'' (S.I.)





