Exército pode fazer a guarda ambiental
O presidente Lula volta a afirmar que quer criar a Guarda Nacional Ambiental, para proteger as florestas, e pede ao Congresso que apóie o projeto. Mas isso será um desperdício de gasto se o Brasil já dispõe das Forças Armadas, com seus 205 mil homens no Exército, 65 mil na Aeronáutica e 50 mil na Marinha, e mais todo o arsenal bélico. É esse poder armado e treinado que tem condições profissionais de cuidar da segurança nacional, e aí se insere a proteção da Amazônia, da Mata Atlântica, das demais reservas florestais e de todo o patrimônio público que precisa ser guardado, além naturalmente da salvaguarda das instituições.
Não se sabe como Lula pensa em formar essa guarda, mas não é preciso ter grande inteligência estratégica para saber que se for de pequeno porte, com baixo número de homens e equipamentos, não dará conta do recado, e se for grande representará um novo e enorme ônus para a nação e significará outro ''exército'', quando já se tem um, e a um custo alto. Comandos e tropas certamente apreciariam desempenhar essa patriótica missão. Porque os soldados executariam com mais voluntariedade uma função dessas do que ficar apenas nos exercícios e treinamentos. O Brasil não está em guerra e não existe nenhuma iminente, por isso todo o contingente vem tendo pouca ocupação, a não ser quando ocorrem operações de salvamento ou de auxílio emergencial de outra natureza, e assim mesmo estas ocupam pequena parcela de sua gigante estrutura. Com toda a certeza, respeitar as Forças Armadas não é poupando-as de missões relevantes. Observada sob esse ângulo, a criação da Guarda Ambiental desmerece as três Armas. E é um despropósito gerar nova forma de despesa quando uma estrutura já existente pode cuidar com eficiência da guarda das matas e policiar toda a extensão das fronteiras.
Já existe toda uma disponibilização de homens especializados e habilitados, aviões, helicópteros, anfíbios, outras embarcações, instrumental de vigilância e por extensão todo tipo de equipamento para missões dessa envergadura. Mas os comandantes e as tropas não se mobilizam se, em tal caso, não houver ordem presidencial. Porque é o presidente da República o chefe supremo das Forças Armadas. Mas antes disso será preciso estribar-se num bem elaborado projeto de conservação e também de aproveitamento sustentável das riquezas da floresta e da região. Porque é possível extrair sem desmatar e sem danificar.
Se existem 25 milhões de habitantes na área amazônica e estes precisam sustentar-se, tantos lá chegaram apenas para derrubar madeira e destruir a flora e a fauna para plantações e formação de pastagem. E quem faz e mais quer fazer isso são grupos de empresários oriundos de outras regiões, destacadamente do Sul do País. Não se trata, portanto, apenas de sobrevivência dos muitos que habitam há séculos essa zona do território brasileiro, aí incluindo os indígenas, mas também dos exploradores predatórios, e estes são os que causam o maior estrago.





