O candidato à Presidência Geraldo Alckmin é o primeiro em toda a história brasileira a propor, entre as metas de governo, utilizar-se das Forças Armadas para proteção das fronteiras contra a entrada de drogas e contrabando. Nem mesmo presidentes no poder valeram-se dessas forças de segurança para um combate sistemático a esses nefastos males que penetram pela extensa faixa limítrofe. O Exército tem sido mobilizado para operações de socorro e atendimento - destacadamente na região da Amazônia e do Centro-oeste - mas nunca para uma guerra aberta e contínua de policiamento, nessa faixa, e nem em missões permanentes de proteção à floresta contra o desmatamento, o extrativismo de madeira e outras riquezas da flora e da fauna, e contra as queimadas. Para entrar em ação, esse contingente de homens e arsenais precisa do comando do presidente da República, e apesar da intensificação do contrabando, da entrada de drogas e da continuada devastação amazônica, uma tal ordem nunca aconteceu. Soa como fato novo as Forças Armadas serem mencionadas para operar nessa tarefa. A função das Armas é dar garantia às instituições e à defesa nacional, e nada se encaixa melhor nesse princípio fundamental do que a proteção da segurança interna, das fronteiras e da riqueza representada pelas matas e tudo o que abrigam. Da atuação das Forças Armadas tem-se maior referência na atuação da engenharia de construções do Exército - que com seus cinco batalhões constrói estradas, ferrovias, pontes, campos de aviação - e no socorro a populações assoladas por catástrofes. Verdade que contingentes do Exército e da Aeronáutica também atuam nas fronteiras, com a tropa preparada para casos de invasão externa e riscos à soberania nacional, mas chegou a tal ponto o grau do problema com as mercadorias contrabandeadas e com o ingresso, por caminhos externos, de cocaína e maconha, que se reclama uma maior presença militar e uma ação mais abrangente e diversificada nessa extensa zona fronteiriça, que tem conexão com dez países vizinhos. Isto sem perder de vista a defesa da floresta, que é uma das grandes reservas verdes não apenas deste país mas do planeta. As Forças Armadas têm mais de 300 mil homens e um razoável equipamento bélico, que se não é suficiente - no entender dos comandantes militares - é o que a nação dispõe. E que consome elevado investimento orçamentário. Pela filosofia da instituição, é do seu ideal atuar não apenas em missões de treinamento mas em operações mais avançadas, como as mencionadas, porque não lhe falta patriotismo e competência profissional. A menção de Geraldo Alckmin à valorização e ao maior uso das Forças Armadas é uma promessa estratégica de relevância e uma visão de mais largo alcance do candidato.

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