Rio O temor de que uma onda de ameaças e boatos como os de segunda-feira última ameaçasse a tranquilidade das eleições no Rio de Janeiro acabou não se confirmando. Uma grande operação montada pela Secretaria de Segurança Pública, com o auxílio de forças federais, coibiu eventuais manifestações do crime organizado para impedir populações de regiões carentes de votar. O esquema especial distribuiu 36 mil homens pelo Estado quase 90% eram policiais militares e civis. Três mil soldados do Exército ocuparam 34 pontos em regiões consideradas de risco, na maioria áreas próximas a favelas dominadas pelo tráfico.
Pelas ruas de toda a capital, grupos de policiais militares e civis fizeram patrulha. Em diversos pontos do Rio, entretanto, foi quase inexistente a repressão ao trabalho de boca-de-urna. Os milhares de cabos eleitorais de candidatos que distribuíam panfletos e ''santinhos'' a eleitores atuavam a poucos metros de policiais militares sem ser incomodados.
A presença ostensiva do Exército causou polêmica em algumas áreas, como entre moradores de Ipanema, região nobre da Zona Sul do Rio. Uma companhia com 120 soldados montou acampamento na praça Nossa Senhora da Paz, onde dezenas de crianças brincavam. A atriz Julia Lemertz, mãe de Miguel, questionou o tipo de ação e o local. ''Não acho adequado o Exército estar em um lugar que vive cheio de crianças. Me sinto como se estivesse em Bogotá, na Colômbia.''
Outras pessoas consideraram que a presença de soldados nas ruas transmite aos transeuntes uma ''sensação de segurança''. ''Apesar de não achar que seja a função do Exército, é inegável que a gente fica mais seguro. Mas a verdade é que, se houvesse a mesma quantidade de policiais aqui, seria igual'', opinou o comerciante Miguel Ratton, dono de uma loja na Visconde de Pirajá.

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