Exercite mais o seu senso crítico
Começa um ano que vai exigir muito do sentido seletivo nas análises que as pessoas fazem dos fatos. Ano de eventos que reúnem todos os ingredientes para entreter o sentimento nacional - e que desviam a atenção das mazelas e das falcatruas.
2010 começou bem, com previsões otimistas. Previsões devem ser levadas em conta como alertas. Com ressalvas, mas como alerta. Em 2006, por exemplo, em ''O Relatório da CIA - Como será o mundo em 2020'', especialistas fizeram previsões que colocam o Brasil em situação privilegiada num cenário mundial quase adverso. Eles se reuniram em cinco continentes para produzir o relatório do Conselho Nacional de Inteligência dos EUA, o National Intelligence Council.
A publicação prevê, por exemplo, que a Ásia mudará as regras do processo de globalização. Economias de países em desenvolvimento, como Brasil e Indonésia, vão suplantar economias europeias. E a Europa Ocidental precisará recrutar ''vários milhões'' de profissionais - inclusive brasileiros -, para preencher vagas de trabalhadores que se aposentarão nesse período.
Previsões sobre a mudança do eixo central da economia não faltam. Há relatórios apontando que a forte qualificação da mão de obra é que vai alavancar os PIBs da China e da Índia. Neste caso, nada de novo para quem leu O ''Mundo é Plano - Uma Breve História do Século 21'', de Thomas L. Friedman. O livro explica como isso vem ocorrendo.
Se o olhar para a economia vislumbra mais pontos positivos do que negativos, é bom destacar um capítulo que fala de ferramentas perigosas. Um número cada vez maior de pessoas - inclusive terroristas - pode adquirir a capacidade de conduzir ataques cibernéticos contra centros mantenedores da infraestrutura de informação global, como internet, redes de telecomunicações e sistemas de computação que controlam processos industriais estratégicos como usinas elétricas e refinarias.
Previsões existem e não podem ser descartadas. Não são produtos de especulação, nem mero exercício de diletantismo. Porém, deixemos as previsões de longo prazo para os futurólogos. A prudência indica que os brasileiros devem se preocupar com a fase transitória do País. E que todos tenham um olhar mais crítico para as decisões que mexam com o nosso destino.





