O governador tem suas razões ao ironizar que designará os senadores Álvaro Dias e Osmar Dias para que negociem com as concessionárias a redução das tarifas do pedágio, já que ambos cobram isso dele. Postulantes ao governo estadual no próximo pleito, os irmãos senadores têm em Requião e em si mesmos os rivais, por isso já travam uma batalha eleitoral. A verdade é que o governador Requião tem buscado pela via judicial (e não há outra) conter o avanço das tarifas, mas há contratos assinados e as decisões da Justiça se estribam neles. Os dois senadores cobram do governador a baixa das tarifas ou que negocie isso com as concessionárias, mas devem saber que tal negociação é problemática. As concessionárias mostram-se indiferentes e irredutíveis, por vezes afrontam a figura do governador e parecem pouco preocupados com os usuários. Até descumprem itens dos contratos conforme denunciou o DER bastando constatar como está, por exemplo, o trecho da Estrada do Café entre Mauá da Serra e Imbaú. Tirados os noves-fora, só há um culpado, e este é o ex-governador Jaime Lerner. Mas se pouco se pode exigir do governador Requião, não se compreende a sua inusitada fórmula de criar seu próprio pedágio apenas para mostrar que é possível fazê-lo mais barato. É como inventar uma guilhotina mais suave, que corta apenas a orelha. E esta a associação que se pode fazer com seu pedágio barato. A pergunta é: poderá a Justiça sensibilizar-se no sentido de eventual anulação de contratos, ou encontrar brecha legal para diminuir tarifa, só pelo fato de o Governo do Estado provar que é possível operar em bases tarifárias mais baixas? Será preciso esperar para saber. A conta não baixará para o usuário de veículo e sim ficará mais alta com esse pedágio/cobaia. Pela sua obstinação, é certo que Requião irá implantar o pedágio experimental barato não se garantindo o que farão com os governadores futuros porém melhor seria o abandono dessa idéia, que está reforçando politicamente as concessionárias, e utilizar-se dos recursos existentes (que são substanciais) e consertar as estradas estaduais mal conservadas, mas sem pedágio. Esta seria uma forma eloquente de mostrar não às concessionárias, que não se tocarão por isso e apenas brandirão os contratos mas aos cidadãos e ao Poder Judiciário que é possível manter boas estradas apenas com os recursos dos impostos pertinentes. Tal seria argumento forte para obter algum ganho de causa, na Justiça, nos embates contra as concessionárias.

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