Executivo é o que mais desrespeita
Como a senhora avalia a atual Constituição Federal?
Vejo que um dos problemas da Constituição é o fato de ela ser fruto de uma uma série de vontades divergentes de quem a fez. Por isso, ela tem algumas contradições, têm normas que não podem ser aplicadas porque dependem da regulamentação no Congresso Nacional. Há uma série de normas que não foram regulamentadas, mas isso é facilmente resolvível.
De que forma?
Ao invés de dizer que não vai aplicar a lei porque não foi regulamentada, deve-se aplicar uma norma mais geral que traga efeito. Outra maneira de solucionar é a sociedade pressionar o Congresso para que ele legisle nas matérias que estão previstas e são da sua competência. Pressionar o poder executivo para também tomar as medidas necessárias e para que as normas possam ser aplicadas. Às vezes a regulamentação é do poder executivo e é ele que deve fazer um ato normativo. A Constituição é um texto excelente, mas é a sua aplicação que vai dizer se é ou não eficaz.
E, de maneira geral, o texto é bem aplicado?
Ele poderia ser muito melhor aplicado. É preciso demandar e provocar cada vez mais o poder judiciário por meio de medidas judiciais. Se o seu direito está sendo desrespeitado, é preciso entrar com uma medida judicial, pois o poder judiciário vai ser obrigado, já que se trata de um direito fundamental, a aplicar a Constituição. Ele vai ter que dar uma resposta concreta. Outra maneira é pressionar o poder legislativo para que respeite a Carta. O poder executivo é um dos que mais desrespeita a Constituição. A situação é complicada, mas não é reduzindo o número de artigos que vai resolver o problema da eficácia.





