Curitiba - Enquanto militares e representantes do governo participavam das festividades do aniversário do Dia da Independência do Brasil, no outro lado da cidade, no bairro Barreirinha, cerca de 2 mil pessoas, também carregando bandeiras do Brasil, faziam um outro tipo de manifestação. Os participantes do 8º Grito dos Excluídos realizaram uma caminhada entre as igrejas da Barreirinha e Abranches, num trajeto de cerca de 4 quilômetros.
O Grito é realizado nacionalmente desde 1994, quando um encontro em Brasília, envolvendo movimentos populares, representantes da sociedade civil e da igreja criticaram a falta de serviços essenciais, como saúde, educação, saneamento básico e moradia para grande parte da população. A partir de então, ficou estabelecida a realização do Grito dos Excluídos, sempre no dia 7 de setembro, como forma de questionar a independência do povo brasileiro.
Este ano, o tema escolhido pelo movimento foi ''Soberania sim, Alca não'', como forma de contestar a entrada do Brasil na Aliança Livre de Comércio das Américas (Alca), que prevê a abertura de mercado entre todos os países das Américas. O tema coincide com o Plebiscito Nacional, que está acontecendo durante toda esta semana, para consultar a população sobre a Alca.
Durante todo o trajeto, os participantes se revezavam, no carro de som, fazendo discuros contra a política social dos governos federal e estadual, e contra a Alca. ''É importante que o povo se una para poder ter mais conquistas sociais'', falou dom Ladislau Biernaski, bispo das pastorais sociais, lembrando que o povo brasileiro é pacífico, mas tem que se organizar e ir à luta para obter o que precisa.

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