Ainda fresca na memória a lembrança da vaia recebida por prefeitos, ano passado, durante a 15ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, a presidente Dilma Rousseff decidiu se antecipar em 2013. Não esperou uma nova romaria, que geralmente acontece em abril, e chamou ela mesma os novos prefeitos para um encontro, na última segunda-feira, em Brasília. Na reunião, a presidente anunciou um pacote de R$ 66,8 bilhões em investimentos para os municípios.
Prefeituras de todo o Brasil estão enfrentando dificuldades para conseguir recursos, principalmente nesta época de transição de administração. Muitos ex-prefeitos deixaram dívidas que seus sucessores terão que pagar. Quase 70% das cidades brasileiras não poderão se beneficiar com as verbas extras porque, com contas em atraso, elas constam no Cadastro Único de Convênios (Cauc) da Secretaria do Tesouro Nacional. No Paraná, 40,6% dos municípios estão com ‘’nome sujo’’ no cadastro.
A situação financeira dos municípios preocupa e encontrar um jeito de aumentar os recursos é uma ideia constante não só entre prefeitos e secretários, mas também pela direção dos partidos políticos. O ano de 2013 começou com uma discussão importante, que trata de alterações no pacto federativo - divisão dos recursos arrecadados por meio de tributos. Lideranças se queixam que o governo federal fica com o bolo maior do tributo e que a parte dos Estados e municípios vem diminuindo por conta da queda de arrecadação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e da isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis e linha branca.
Boa parte da verba anunciada - R$ 35,5 bilhões -, será destinada a obras de saneamento, pavimentação e habitação, principalmente para unidades do Programa Minha Casa Minha Vida. O restante será destinado a outras obras, como construção de creches e pré-escolas. O chamado pacote de bondades da presidente Dilma vem em boa hora, mas o problema é que ele não vai ajudar as cidades com contas atrasadas.

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