Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) aponta que os impostos continuam em ritmo crescente no País. Somente até a última segunda-feira, os governos federal, estaduais e municipais arrecadaram juntos um total de R$ 1,3 trilhão em tributos. Em 2011, esta marca foi atingida somente em 21 de novembro. Os dados constam do chamado ''Impostômetro'', uma parceria entre o IBPT e a Associação Comercial de São Paulo, que calcula a montanha de tributos paga pelo contribuinte brasileiro. O número é alarmante levando-se em conta que não se vê o retorno em melhores serviços públicos à sociedade.
A cifra astronômica desperta novamente o debate sobre a urgente necessidade da aprovação da reforma tributária no Brasil. Notícia publicada ontem pela FOLHA informa que a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que obriga os empresários a discriminar na nota fiscal o montante de impostos pagos na compra de mercadorias e serviços. A proposta depende de sanção da presidente Dilma Rousseff para entrar em vigor dentro de seis meses. A medida é salutar e, na opinião do IBPT, vai facilitar a percepção de quanto o brasileiro desembolsa de sua renda com tributos e poderá até estimular a cobrança da população pela aplicação mais correta desses recursos.
De acordo com o IBPT, a carga tributária encarece sobremaneira produtos de primeira necessidade para o consumidor. Incrível que sobre itens da cesta básica incidam valores tão altos, como é o caso do arroz e do feijão (18%), da carne (18,63%), do frango (17,91%), da farinha (34,47%), dos ovos (21,79%) e das frutas (22,98%). Sobre medicamentos pesam incríveis 36% de impostos. No valor total da gasolina, 57% são de tributos. A sanha arrecadadora do governo faz elevar o custo da energia elétrica ao consumidor final, que paga 45%,81 a mais em tributos. O mesmo se dá com a conta do telefone com seus 47,87% de impostos. Quem compra uma camisa ou um vestido, paga 35% de impostos, taxas ou contribuições. Os percentuais são assustadores.
O fato de a nova nota fiscal discriminar o tributo incidente sobre o valor final do serviço ou da mercadoria pode fazer o brasileiro pressionar os políticos a votar a reforma tributária. Enquanto isso não ocorre, uma outra ferramenta vai ajudar o consumidor acompanhar a aplicação dos impostos. O ''Gastômetro'', iniciativa da Associação Comercial de São Paulo, vai analisar a qualidade dos gastos e a eficiência no uso de recursos. Um novo aliado na luta contra o mau uso do dinheiro público.

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