Excesso de gastos extras na Prefeitura
O dicionário define corrupção como ação ou efeito de corromper, decomposição, putrefação, depravação, desmoralização, devassidão, suborno e sedução. Ressalvadas as exceções, os políticos brasileiros se enquadram em um ou outro desses itens. Na vida pública a corrupção se manifesta de muitas formas, e as acomodações políticas figuram entre elas.
A administração provisória da Prefeitura de Londrina anunciou economia, ao assumir, e se tomou algumas medidas nesse sentido também lotou-se de comissionados e conselheiros remunerados, no que gasta em torno de R$ 500 mil mensais, valor que sobe para R$ 800 mil com os encargos. Atendendo a pedido da Câmara Municipal, a Prefeitura informou que são 163 os beneficiados com tais cargos, e entre eles estão candidatos a vereador derrotados, parentes de reeleitos e de deputados que formaram a coligação que levou José Roque Neto ao poder.
Muita gente favorecida não tem conhecimento técnico e funcional do cargo, e os ganhos não são baixos. O prefeito interino não conseguiu conter a onda de pedidos para abrigar os indicados, porque tais solicitações partiram de pessoas influentes. Estes são os vícios da vida pública e só serão corrigidos quando não só os que têm poder decidirem não solicitar tais indicações mas os próprios indicados se recusarem a pedir e a aceitar. Um processo que precisa passar pela elevação do padrão moral dos homens públicos e da própria sociedade. E não apenas com relação a isto mas nas diferentes formas de comportamento humano. Verifica-se então que o caminho trilha pela necessidade de eliminar a causa, que tem origem no próprio âmbito das fraquezas humanas, um nefasto componente que, em menor ou maior quantidade, existe nas pessoas. Mas isto não deve significar a aceitação pura e simples dos abusos e o abandono da cruzada para a moralização da vida pública. A luta precisa continuar, por via da denúncia e outros procedimentos mais contundentes.
Quanto aos conselheiros de instituições públicas, estes deveriam atuar gratuitamente, como dispensação pessoal à causa do bem comum, como fazem os presidentes e diretores de entidades privadas, de instituições beneficentes e de outros serviços prestados à sociedade ou às próprias classes a que pertecem. Quando se trata do poder público, parece que todos querem tirar proveito, como se o dinheiro não tivesse dono. Mas ocorre que este dinheiro é do povo, e quem dele se vale injustamente o subtrai de uma obra social.





