O excesso de chuva que atingiu o Paraná neste início de primavera está expondo a vulnerabilidade da produção agrícola diante dos extremos climáticos. No Norte do Estado, o solo encharcado atrasou o plantio da soja, comprometeu a colheita de culturas de inverno e ampliou os riscos de doenças nas lavouras. Os prejuízos já se manifestam na qualidade e na quantidade dos grãos, com reflexos sobre a rentabilidade dos produtores e a economia regional.

De acordo com as medições feitas pelo IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), a região de Londrina registrou 259 milímetros de chuva em setembro, mais que o dobro da média auferida para o mês entre 1976 e 2025, de quase 109 milímetros.

A comparação com o ano passado impressiona: o volume de água foi 6,5 vezes maior. Mas há uma chance de aumentar muito o índice neste mês de outubro, porque nos 14 primeiros dias, o acumulado alcançou quase 241 milímetros, já muito acima da média histórica para o mês inteiro, de 157 milímetros, e igualando os 31 dias do mesmo mês do ano passado. Se o ritmo for mantido na segunda quinzena, há chances reais de o mês quebrar o recorde de outubro de 2009, que bateu nos 396 milímetros.

A influência do El Niño, associada à possibilidade de temporais intensos, mantém o setor rural em alerta e exige atenção também para os impactos sobre as cidades e a infraestrutura.

A agricultura depende do clima, mas não pode ficar inteiramente à mercê de suas oscilações. Se, por um lado, a chuva é indispensável ao desenvolvimento das culturas, por outro, o excesso compromete o calendário agrícola, dificulta os tratos culturais e eleva os custos de produção. O atraso na semeadura da soja, por exemplo, pode interferir no planejamento das culturas subsequentes. Já as perdas na qualidade do trigo e da cevada reduzem o valor comercial da produção e agravam as dificuldades de quem enfrenta margens cada vez mais apertadas.

A chuva que hoje impede o avanço das máquinas no campo é também um alerta sobre a urgência de proteger os recursos dos quais depende a própria produção. Preservar o solo, adaptar o manejo e planejar o território são medidas que beneficiam o agricultor, a economia e a sociedade. Diante de um clima cada vez mais imprevisível, a resiliência deixou de ser apenas uma recomendação técnica: tornou-se uma condição para a sustentabilidade da agricultura paranaense.

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