Todos sabem que o Brasil é um dos países que mais cobram impostos e também um dos mais esbanjadores na esfera governamental. Reportagem de ontem deste Jornal acentuou esta verdade ao demonstrar mais uma vez que cada brasileiro transfere para o Governo, em forma de tributos, o ganho inteiro de cinco meses ao ano de seu trabalho. Em muitos casos o imposto representa mais que o dobro do valor do produto. Na compra do automóvel novo quase metade é imposto, acrescido do que vem na sequência, como IPVA, seguro obrigatório, tributação sobre o combustível, pedágio, etc.

Imagine-se que de janeiro até dias atrás cada trabalhador deu toda a sua renda para o Governo. Isto é desolador e faz os cidadãos sentirem-se impotentes, porque se os impostos são necessários - para o Governo realizar suas metas, manter o quadro funcional, fazer os atendimentos sociais e a manutenção da infraestrutura instalada - uma parte substancial da receita é destinada a abusos de gastos, esbanjamento e corrupção.

Quem paga é sempre o consumidor porque todos os impostos são adicionados ao custo do que se compra. E mais o acréscimo de juros altos para quem entra no crediário. A revolta da população é porque a fortuna arrecadada e que abarrota o Tesouro não retorna na mesma equivalência em forma de serviços e obras. Tome-se como exemplo a saúde pública e especificamente os atendimentos por via do Sistema Único de Saúde (SUS). Repita-se sempre que o mal, neste caso, é a burocracia e o pouco dinheiro disponibilizado, porque os atendentes - socorristas, médicos, enfermeiros - se desdobram e fazem o possível e o impossível, mesmo com ganho baixo e os poucos recursos colocados na rubrica do SUS. De um lado, a receita astronômica do Governo e, de outro, pessoas agonizando durante meses à espera de uma cirurgia, a menos que tenha plano de saúde ou pague do próprio bolso. Só na região de Londrina a União arrecadou R$ 3 bilhões no ano passado.

A contribuição da sociedade é necessária, ou seria a falência das instituições e dela própria, pela ausência do ordenamento legal e da manutenção do regime social, mas no caso do Brasil a revolta da população é porque o sistema governamentl esbanja, gasta no supérfluo e nas mordomias, é corrompido, faz descaso com as necessidades básicas dos cidadãos (saúde, moradia e, principalmente, segurança), conserva mal as estruturas existentes e não tem grandes projetos desenvolvimentistas que gerem riquezas e empregos.

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