Ex-voluntário aponta falhas do Fome Zero
O empresário Abílio Wolff, ex-voluntário da UFB, não se ilude. ''A experiência que tivemos há 40 anos poderia perfeitamente ser aplicável nos nossos dias, inclusive o Imposto Social'', acredita. Ele não considera que as novas gerações sejam mais alienadas que a dos anos 60, uma década marcante de mobilização estudantil e participação política.
''Inclusive, a situação se agravou muito e o clamor popular contra a miséria também cresceu. Mas não acredito que seria possível aquela experiência hoje. Faltam lideranças autênticas, com credibilidade para comandar uma campanha como aquela. Hoje não conheço ninguém com este perfil'', comenta Wolff.
O programa social-âncora do governo federal, o Fome Zero, não convence o voluntário de quatro décadas atrás. Wolff acha que os interesses fisiológicos fizeram a infra-estrutura do Estado inchar neste período e que não lhe agrada a idéia de acrescentar mais uma iniciativa grandiosa para combater a miséria.
Segundo ele, por si só, o governo não é capaz de alterar o quadro social do País. ''Se a comunidade não participar, não cobrar, os recursos vão parar nas mãos de quem não precisa'', afirma.
Ele também critica o modelo dos cupons e a falta de uma base sólida de informação para atuar. ''O objetivo não é muito claro e não me entusiasma a idéia de ser um voluntário do Fome Zero'', resume, descrente, lembrando que o combate ao desperdício poderia ser incluído no conjunto de ações do programa.
(L.F.M.)





