São Paulo - O ex-presidente do Paraguai Raul Cubas Grau, que renunciou ao cargo em 1999 e estava asilado no Brasil, morando em Curitiba, apresentou-se ontem de forma surpreendente a um juiz paraguaio. Após um breve depoimento, o juiz determinou a prisão do ex-presidente na sede da 1ª Divisão de Infantaria, segundo informaram seus familiares. Ele cruzou a Ponte da Amizade (que liga as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e de Ciudad del Este, no Paraguai), e passou a noite na casa de familiares. ‘‘O ex-presidente agora confia na Justiça e está disposto a obedecer à decisão do juiz’’, afirmou seu irmão, Luís Cubas.
Raul Cubas é acusado de participar do assassinato de seu vice-presidente Luis Argaña, no dia 23 de março de 1999. Ele também responderá a um processo que o acusa de responsabilidade indireta na morte de sete pessoas, em uma manifestação contra o seu governo, ocorrida em 26 de março do mesmo ano. Seu padrinho político, o ex-general Lino César Oviedo, também refugiado no Brasil, é alvo das mesmas acusações.
O ex-presidente Raul Cubas assumiu no dia 15 de agosto de 1998, depois de vencer as eleições do dia 10 de maio, com 54% dos votos. Foi tirado do poder sete meses depois, no dia 28 de março de 1999, por um ‘‘golpe parlamentar’’ de seus adversários políticos, depois de um julgamento confuso, no qual foi impedida a entrada de três parlamentares que votariam a seu favor. O senador Luis Gonzalez Macchi, que era presidente do Congresso, assumiu a Presidência do Paraguai e a Corte Suprema autorizou-o a terminar o mandato presidencial em 2003.
Luís Cubas disse que seu irmão não vai recorrer aos seus direitos parlamentares, como senador vitalício. Ao ser interrogado sobre as razões que levaram Cubas a se apresentar depois de três anos no Brasil, seu irmão respondeu que isso não aconteceu antes porque julgou não existirem condições para um julgamento no país. ‘‘Agora as coisas estão mais claras e é possível garantir um julgamento adequado’’, disse ele. De acordo com Luís Cubas, o ex-presidente nega qualquer responsabilidade pelos assassinatos.
O presidente Luis González Macchi disse abertamente que seu antecessor terá garantias de um julgamento adequado às suas ações. Em um breve contato com a imprensa, Macchi afirmou que seu antecessor ‘‘tem todas as garantias’’ e que ‘‘seu caso está nas mãos da Justiça’’.

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