Ex-infrator auxilia recuperação de adolescentes
Paulo (nome fictício), 16 anos, responsável pelo assassinato de uma pessoa e há seis meses apreendido no Ciaadi aguarda para ser encaminhado para o Educandário São Francisco, em Curitiba, onde poderá cumprir pena de privação de liberdade por até três anos. Antes desse crime, o adolescente já tinha participado de uma tentativa de assalto. Porém, hoje, o que ele quer é sair do Ciaadi, corrigir os próprios erros e ''fazer tudo diferente''.
O menino que hoje sonha em ser mecânico decidiu mudar depois de conhecer a Deus. ''Deus me fez repensar minhas atitudes'', aponta. A pedido de Paulo, um grupo da Igreja que ele frequenta foi até o Ciaadi para batizá-lo. ''Foi um momento muito feliz'', recorda. Sobre o passado, Paulo observa que ''amigos'' o influenciaram e que ele estava sendo ameaçado de morte quando cometeu o homicídio.
O diretor do Ciaadi, Márcio Filla, acredita na mudança de postura de Paulo e enfatiza que ele é um exemplo para os outros meninos apreendidos porque tenta passar para eles um outro lado da vida. E o próprio Paulo ensina:''Eu converso com eles, falo que não compensa esse mundo. Alguns escutam e outros não, mas a gente nunca deve desistir de alguém''.
O que é mais difícil para Paulo é a saudade que sente da família. Ele mora com a mãe e mais três irmãos e conta que todos eles acham errado o que ele fez. Sobre a experiência de ficar preso, ele confessa que teve seu lado positivo. ''Foi bom porque eu poderia ter me afundado. Aqui pude prestar atenção nos meus erros'', expõe. No dia que sair para a rua e voltar à vida normal, o adolescente sabe bem o que quer fazer primeiro: ''Quero ir à Igreja'', declara.
Sérgio Ezequiel de Souza, 22 anos, conhecido como ''Sergin'', é a prova real de que Paulo pode ser um vencedor. Quando adolescente, Sérgio esteve apreendido no extinto Setren e também no Ciaadi por assalto. Hoje, ele ainda vai ao Ciaadi, mas para ajudar os adolescentes a mudar de vida.
Participante do projeto Viva a Vida e da Rede da Cidadania, ''Sergin'' ensina a arte da grafitagem aos meninos e meninas apreendidos no Ciaadi. ''Tenho grande satisfação em trabalhar com esses meninos e conscientizar sobre os riscos do mundo do crime e das drogas'', revela.
Ele conta que a mudança de postura dele se deu dentro do próprio Ciaadi. ''Quando entrei aqui, não sabia nem ler direito. No Ciaadi, voltei a estudar e aprendi muitas coisas. Quando saí, continuei meus estudos até o 3º colegial'', afirma. Além dos estudos, o contato com o movimento Hip Hop e também com grupos de Rap foram importantes na recuperação de ''Sergin'' que é hoje um educador dos adolescentes infratores. (F.B.)





