Nascido e criado em família de músicos, Vítor Hugo Gorni, 47 anos, sonhava em seguir a tradição, mas seu pai faleceu quando ele era menino e a situação ficou difícil para a família. Assim, desde pequeno, direcionou-se para trabalhar e ganhar dinheiro, visando ajudar no sustento da casa. Aos 25 anos, já era gerente de um banco. Em paralelo, optou por fazer um curso de direito. Nas horas vagas, continuava tocando sax e clarinete em casa, com os amigos, na banda que seu pai havia fundado em Cambé e, eventualmente, na orquestra sinfônica da UEL.
Um dia, ''felizmente, o banco quebrou'', conta, brincando, o que o fez refletir sobre sua própria vida, imaginando, talvez, lhe dar um novo rumo. E a oportunidade surgiu, justamente na área que o realizava, a música. A orquestra sinfônica da UEL se firmava e lhe oferecia a chance de ser contratado, ''por 1/4 do que eu ganhava na época''.
''Fiquei duas semanas sem dormir direito, pesando os prós e os contras'', lembra. Na época da decisão, casado e com dois filhos, contou com o apoio total da esposa. ''Faça o que achar melhor, a gente sobrevive'', disse-lhe a mulher. Enfrentou, então, três anos de instabilidade financeira e, com tantas preocupações, quase desistiu do curso de direito. Angustiado, vivia se perguntando: ''Será que fiz a coisa certa?''.
Mesmo cheio de dúvidas, persistiu e hoje sente-se plenamente realizado, inclusive financeiramente. Músico, compositor, arranjador e regente, Vítor dedica às varias atividades cerca de 16 horas de seu dia. Sua profissão, comenta, ''é um canal aberto direto com Deus''.

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