Umuarama - O ex-balseiro Jolcimar Luiz Pés, 32 anos, foi encontrado morto ontem à tarde em Guaíra (114 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Jilsão, como Pés era conhecido, era um dos acusados de participação nas mortes dos empresários Quinto e Celso Andreis. Pai e filho foram executados a tiros dia 10 de julho de 1996 na casa de Quinto. O crime teve grande repercussão porque envolve uma das famílias mais ricas do Paraná.
O ex-balseiro foi o único até agora a ser preso e julgado pelo duplo homicídio. Ele havia sido condenado a 12 anos de prisão em 1998, mas conseguiu anular a sentença e aguardava em liberdade novo julgamento. O corpo de Jilsão foi encontrado boiando no rio Paraná com várias perfurações à bala.
Dono da F. Andreis – uma das maiores empresas de mineração e transporte fluvial do Brasil –, Milton Andreis é acusado de ser o mandante da morte de Quinto. Sobrinho de Quinto, Milton travava uma batalha judicial com ele pelo direito de explorar a travessia de balsa do rio Paraná, entre Paraná e Mato Grosso do Sul, um negócio altamente lucrativo que acabou dois anos depois quando foi inaugurada a ponte Ayrton Senna. Na época do crime, a empresa de Quinto, a Mineração Floresta, havia conseguido uma liminar judicial para operar na travessia, cujo monopólio pertencia à F. Andreis.
Milton e mais quatro pessoas foram denunciados pelo crime, mas o processo ainda está em fase de oitiva de testemunhas. Ano passado, familiares das vítimas fizeram um protesto contra a lentidão do processo. Acusado de ter transportado de barco os dois pistoleiros que assassinaram os empresários, Jilsão ficou três anos na cadeia. Ele chegou a confessar o crime e citar os nomes dos outros envolvidos. Depois passou a alegar ter sido torturado pela polícia para confessar.
Jilsão é a terceira pessoa envolvida no caso a morrer assassinada. Em 98, uma das testemunhas mais importantes do processo, o alemão Hans Peter Wagner, foi assassinado em Rolândia. Acusado de participação no crime, o ex-policial civil Luiz Siqueira da Costa, de Mato Grosso do Sul, também foi morto a tiros em 99 na fronteira com a Bolívia.

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