Evolução ou revolução?
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de junho de 2013
Flávio Montenegro Balan 
Estive por 12 dias fora do País para aprender mais sobre cooperativismo na Holanda e Alemanha, países com um conceito forte da matéria. Constatei, nessa rápida troca de experiência, a importância que nosso país tem para eles. Também vi o respeito ao associativismo, ao cooperativismo, aos empresários e, principalmente, aos visitantes que estão gastando nos seus países. Respeito com a língua, com a pontualidade, com a acessibilidade, com toda a organização necessária para que passássemos por lá sem perceber que estávamos fora de casa e das nossas origens. E tudo isso mostrando a cultura e história locais, que são muito valorizadas. Após várias revoluções, todos por lá evoluíram.
No retorno, chegando ao Brasil, tivemos problemas com o clima. Nossa aeronave tentou várias possibilidades: Belo Horizonte, São Paulo, Campinas e acabou pousando no Rio de Janeiro, após 13 horas de voo. Chegando à Cidade Maravilhosa, passamos quase seis horas dentro da aeronave, sem qualquer informação. De repente, alguém veio dizer que precisaríamos desembarcar ali mesmo, pois o caminhão de combustível que veio abastecer a aeronave não tinha o bico compatível com a entrada do tanque. Piada? Pior que isso: quando finalmente encontraram um caminhão com o tal bico compatível, a tripulação já havia passado as 21 horas de voo permitidas; então, teríamos todos que descer.
Perdemos mais uma hora para que os mais de 400 passageiros desembarcassem nos ônibus da Infraero, que apareciam a cada 20 minutos. Quando todos finalmente puseram os pés em solo brasileiro, aguardava-nos mais espera. No setor de imigração, oito guichês eram para estrangeiros e dois para brasileiros (que eram mais de 80% dos passageiros do voo). Mais uma hora. E as malas, cadê as malas? Só chegaram após mais 40 minutos de espera. Ufa!.
Chegou, finalmente, a hora de voltar para Londrina. Nosso grupo era de 30 pessoas. Todos os voos para cá estavam lotados. A companhia aérea nos ofereceu um ótimo ônibus. Após o motorista errar o caminho, às 15 horas do dia seguinte, finalmente estávamos em... casa!
E agora, reclamar para quem? Será que essa infraestrutura e organização precárias vão explodir em 2014? Teremos que fazer uma revolução aqui para evoluirmos? Só por Deus...
E, por falar nele que nos abençoe sempre , fui a uma casa religiosa onde se realizava um encontro de casais e minha mulher iria tocar violão. Pessoas maravilhosas, iluminadas, dedicadas voluntariamente à evangelização. Os participantes formavam uma grande família de fé. Mas lá também, infelizmente, encontramos a falta de estrutura e organização por parte dos locadores e mantenedores do espaço. Achando-se acima do bem e do mal, os locadores trataram os voluntários do encontro sem respeito, sem qualquer compaixão, julgando e constrangendo a todos nós. Parecia que estávamos prestes a lesar o patrimônio de Deus.
Será que a minha prepotência está aflorando? Será que estou sonhando? Será que isso também não pode evoluir? Até quando pessoas de bem serão colocadas em situações tão constrangedoras? Se todas as pessoas de bem se calarem, a meia-noite tomará conta do meio-dia. Se não fizermos uma revolução do bem, a evolução continuará sendo apenas um sonho. Dentro de um avião parado, ficaremos esperando esse país finalmente decolar para o futuro.
FLÁVIO MONTENEGRO BALAN
é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina Acil)
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