O mundo corporativo está em constante evolução. Para que as empresas sejam competitivas e sobrevivam, é essencial que os gestores acompanhem a velocidade das mudanças observadas nos sistemas de gestão e administração. E a onda do momento é a valorização dos funcionários.
Por isso, de acordo com o especialista em recursos humanos Vicente Picarelli Filho, a preocupação primordial das empresas hoje deve ser buscar e lutar para manter os melhores profissionais. ''A onda que estamos vivendo é a de gestão de talentos, desenvolvimento da liderança. (É preciso) Cuidar das pessoas individualmente'', destaca.
Considerado um dos principais nomes do setor de RH no País, Picarelli destaca que os profissionais têm de enfrentar, a cada dia, novas circunstâncias e contextos. E que as mudanças no ambiente corporativo são, via de regra, boas para a empresa e para os profissionais. ''Não dá para conseguir coisas novas fazendo do mesmo jeito'', adverte Picarelli.
Quais os principais desafios na gestão de recursos humanos hoje?
O primeiro desafio é buscar um alinhamento entre a estratégia da organização e a estratégia de gestão de pessoas. Muitas vezes as empresas possuem uma visão, missão ou estratégia que não são bem comunicadas. Então a área de gestão de pessoas tem dificuldade para concretizar essa estratégia.
O segundo desafio é encontrar as pessoas certas e colocá-las nos lugares certos. Uma organização precisa ter capacidade de atração de pessoas. O terceiro desafio é reter essas pessoas, dar oportunidade para que cresçam na organização e mantê-las motivadas. E também tem o desafio que não é tão vísivel, pois não tem como fazer uma contabilidade dele, que é a questão da cultura da empresa, para que ela esteja alinhada com os contextos mais modernos do mercado atual, como as redes sociais.
Quais as principais mudanças na gestão de recursos humanos ocorridas nos últimos anos?
Há 20 anos as empresas estavam preocupadas principalmente em melhorar os processos de seleção, os sistemas de remuneração e de treinamento. Mas essas áreas estavam desconectadas umas das outras. Não existia uma preocupação estratégica. O objetivo era buscar eficiência e deixar as pessoas satisfeitas com a remuneração. Hoje, depois de todas as mudanças, desde conceitos de administração, entrada de novas tecnologias, acesso a informação, as pessoas passaram a ter valor na empresa, pois também agregam valor.
O senhor identifica o ponto em que houve essa mudança na valorização da pessoa dentro da empresa?
Principalmente na década de 1990 as empresas passaram a rever as suas estruturas hierárquicas. Foi quando nasceu o trabalho em time. Então acho que os anos 90 foram uma época importante, como se fossem um laboratório. Quando a gestão de recursos humanos amadureceu, passou a procurar a tecnologia, para que através dela fosse possível organizar as informações e proporcionar condições para facilitar o processo de tomada de decisões.
A segunda onda na área ocorreu na virada do século até 2003. A empresa passou a ser menos operacional e mais terceirizada. A terceira onda é a da gestão de talentos e desenvolvimento da liderança. (É preciso) Cuidar das pessoas individualmente.
Como construir uma fábrica de talentos?
Primeiro você precisa definir o que é talento na sua organização. Talento são todas as pessoas que você precisa dentro da sua empresa. Uma vez que isso esteja claro, a sua estratégia deve sempre levar em consideração dois aspectos fundamentais: questões que envolvem a expectativa do profissional (desde propósito de vida, integração dentro da organização, desenvolvimento da carreira) e as necessidades da organização. Para se construir uma fábrica de talentos é preciso levar em consideração as duas pontas: a empresa e o profissional.
Qual importância de administrar mudanças na empresa e por que é tão difícil administrá-las?
O fato é que a cada dia estamos vivendo novas circunstâncias e contextos. Cada vez mais as pessoas estão opinando por meio das redes sociais ou outros canais disponíveis. Pessoalmente também estamos mudando e isso reflete nas empresas. O cliente, dentro da organização, hieraquicamente, está acima do presidente. Atualmente o mercado pode estar buscando o trabalho dessa empresa por outros canais. Para mudar o canal, a comunicação, dessa empresa é necessário um esforço enorme. Pois a empresa já está cristalizada na sua estrutura. ''Sempre fizemos desse jeito e deu certo e vai continuar dando certo''. Mas não dá para conseguir coisas novas fazendo do mesmo jeito. As mudanças são boas e as pessoas precisam entender quão boas elas são. É preciso saber comunicar, trazer as pessoas para esse processo, treiná-las para novas funções e, principalmente, implantar transformações. Administrar mudanças é uma competência de todo gestor.

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