Evitar queimadas neste tempo de seca é responsabilidade de cada cidadão, tanto aquele que costuma atear fogo em palhadas no campo até o que queima folhagem e resíduos domésticos. O risco é de as chamas se alastrarem, tanto no caso das grandes áreas como dos terrenos baldios da zona urbana tentadores para os incendiários que apreciam esse vandalismo e mais a contaminação pela fumaça, altamente prejudicial à qualidade do ar e à saúde das pessoas. Crianças com problema respiratório são as que mais sofrem. Recomendações são feitas também aos que dirigem nas estradas e que, irresponsavelmente, lançam tocos de cigarro à margem do caminho e possibilitam incêndios, como tantas vezes tem acontecido. Conforme este Jornal noticiou ontem, o Corpo de Bombeiros registrou 132 incêndios no Paraná, só de quarta a quinta-feira, e essas queimadas não ocorrem por acaso mas por descuido ou propositadamente. Cada qual pensa que é só um foguinho, mas se muitos têm essa mentalidade, o Estado inteiro se cobrirá de fumaça e o fogo irá semeando estragos. É uma contra-indicação queimar o campo, porque o fogo destrói a camada produtiva da terra, convertendo partículas em torrões, que levam anos para decompor-se, afora tirar-lhes propriedades orgânicas. Informam os geólogos que a natureza demora quatrocentos anos para formar um centímetro de espessura de humus, que é a camada fértil da terra, e no entanto o homem torrifica essa riqueza pelo fogo. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná baixou portaria proibindo queimadas, mesmo as anteriormente autorizadas, e essa determinação precisa ser seguida rigorosamente, para que não ocorra crime ambiental. Os cuidados precisam estender-se também às atividades industriais de risco, à fiação elétrica, aos depósitos de material de fácil combustão e até ao uso de fogos de artifício. Se pesadas sanções forem aplicadas aos infratores, incluindo aqueles que queimam aleatoriamente folhas secas abundantes nesta época muitos males serão evitados. É preciso criar a mentalidade de que nenhum resíduo deve ser queimado, porque existem meios de reciclá-lo, sem a ação fácil e irresponsável de incinerá-lo. O cuidado de cada um resultará na soma do cuidado coletivo. Ações punidoras são necessárias, porque aquilo que não se fizer pelo entendimento haverá de ser feito pela força, em casos dessa natureza. Evitar queimadas e racionalizar o uso da água é, mais que um dever, a defesa da própria vida humana, animal, vegetal e geológica.

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