Evitar colapso hospitalar em Londrina
Não é novidade que, naquilo que depende do Governo, a saúde vai mal no Brasil, embora os irados discursos do presidente Lula - muito frequentes ultimamente - dizendo que é vítima dos que ''só desejam'' falar mal dele. Certamente que o presidente não sabe da realidade de muita coisa, como a situação doentia da saúde pública, dependente do Sistema Único de Saúde, o SUS. A denúncia dos médicos de Londrina, conforme este Jornal destacou ontem, é que a rede hospitalar da cidade está ''muito próxima de entrar em colapso''.
As lideranças da classe médica, representadas pela Associação Médica de Londrina e pelo Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná, reuniu-se para expor a situação e mostrar (o que já se sabe) que o SUS paga pouco por uma consulta médica (apenas R$ 7,50), para as cirurgias e para os hospitais, e além disso atrasa o pagamento, mesmo tendo disponibilidade em caixa, conforme se leu recentemente no noticiário econômico. Ou seja, os últimos R$ 38 bilhões anuais da CPMF estavam retidos no Tesouro, como reserva de moeda. Demonstra-se aí que o desespero do presidente Lula por ver prorrogada a cobrança desse imposto, incidente sobre as operações financeiras, não é para o ideal de melhorar os atendimentos na área da saúde mas (também) para custear muita coisa da gastadora e desperdiçadora máquina governamental.
Como acontece em todo o País, Londrina reclama mais repasse do SUS, ou a paralisação dos atendimentos acontecerá, como adverte o presidente do Sindicato dos Médicos da região, José Luiz de Oliveira Camargo. A defasagem é grande e os déficits vão se acumulando. Isto não é afirmação de gente que ''só deseja'' falar mal do Governo - conforme o entendimento do presidente Lula - mas realidade que se manifesta nas áreas médica e hospitalar do Brasil inteiro. Um outro problema gerado por essa pobreza de investimentos, embora havendo dinheiro, é que o trabalho nos hospitais deixou de ser atraente para os médicos, mesmo com a boa vontade e a persistência dos mais idealistas.
Mas não há ideal que resista por muito tempo quando a compensação pelo trabalho é tão baixa. Se a classe médica não desiste é justamente porque lida com doentes e porque o idealismo ainda prevalece. O alerta que ora se faz em Londrina visa sensibilizar as autoridades. Por isso conclama-se às representações políticas de região e paranaenses no geral que se mobilizem. Deputados - estaduais e federais - e senadores existem para intervir em momentos como este. Será preciso que essa frente parlamentar se una, independente de ideologia partidária, e vá mostrar diretamente ao presidente Lula a realidade da situação. Essa ação tem que ser imediata e não pode ser protelada.





