Eventos cancelados e o dever de respeitar os alertas climáticos
Gravidade do alerta climático exige cautela, atenção às orientações da Defesa Civil e políticas duradouras de adaptação
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sábado, 13 de dezembro de 2025
Gravidade do alerta climático exige cautela, atenção às orientações da Defesa Civil e políticas duradouras de adaptação
Folha de Londrina 
A decisão de Londrina e de várias cidades da região de cancelar eventos culturais e festividades neste fim de semana não é exagero, nem prudência em excesso. Quando a Defesa Civil emite um alerta vermelho, o mais grave da escala, não há espaço para hesitação. A prioridade deve ser preservar vidas.
O Estado acabou de testemunhar, no mês passado, o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu (Centro-Sul). No mesmo dia, o Norte do Paraná enfrentou ventos fortes e chuva intensa. Em algumas cidades, inclusive em Londrina, muitas pessoas foram surpreendidas em eventos que foram mantidos apesar dos avisos. A sensação de susto, a dificuldade de buscar abrigo e o risco desnecessário reforçaram uma lição simples: com a força da natureza não se brinca.
Por isso, a suspensão de atividades é necessária. Em Londrina, o show de Tom Zé, que chegou a ser impresso nas páginas desta edição, rodadas antes do cancelamento, foi cancelado pelo Sesc após recomendação das autoridades. O mesmo ocorreu com a apresentação do Balé Quebra-Nozes e com a Vila do Natal no Aterro do Igapó. Na região, Rolândia fechou a Vila do Papai Noel, Arapongas suspendeu o festival de bandas e fanfarras, e Ibiporã adiou o show do Padre Ezequiel.
As orientações da Defesa Civil são claras e precisam ser seguidas: evitar sair de casa nos horários de tempestade, não buscar abrigo sob árvores, estruturas metálicas ou próximas à rede elétrica, manter distância de áreas alagadas e jamais tentar atravessar ruas tomadas pela enxurrada. Em situações de emergência, o telefone 199 deve ser acionado.
Ao mesmo tempo, o debate não pode se limitar ao momento crítico. A crescente frequência de extremos climáticos, tempestades severas, vendavais, secas prolongadas e enchentes mais agressivas, exige políticas públicas consistentes de enfrentamento às mudanças do clima.
Cidades brasileiras ainda carecem de planos robustos de adaptação, infraestrutura resiliente, sistemas de drenagem eficientes, arborização planejada e investimentos em tecnologia de monitoramento. Ignorar essa agenda significa aceitar, no futuro, danos maiores, perdas humanas e impactos econômicos profundos.
Não há solução simples nem resposta imediata. Mas há um caminho: levar a sério os alertas, respeitar o trabalho da Defesa Civil e cobrar políticas permanentes de adaptação e mitigação. Cancelar um evento pode frustrar expectativas. Contudo, reconstruir vidas, casas e cidades é muito mais difícil.
Em tempos de clima cada vez mais extremo, prudência nunca é demais.
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