A evasão escolar está diretamente relacionada com o fracasso escolar que precisa ser urgentemente derrotado. Um dos mais graves problemas do sistema escolar brasileiro é o fracasso escolar, principalmente das crianças pobres e parece ser evidenciado pelo grande número de reprovações nas séries iniciais do Ensino Fundamental, insuficiente alfabetização, exclusão da escola ao longo dos anos, dificuldades escolares não superadas que comprometem o prosseguimento dos estudos, acentuando com bastante ênfase também no Ensino Médio.

Tem-se notado que a escola pública brasileira não consegue reter as crianças na escola. Ao longo dos oito anos de escolarização (Ensino Fundamental) observam-se sucessivas perdas de alunos. Sabemos que esse fato deve ser explicado por fatores externos à escola, mas é evidente que a exclusão das crianças tem a ver, em grau significativo, com aquilo que a escola e os professores fazem ou deixam de fazer.

Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, de São Paulo, investigou as causas mais amplas da repetência escolar. Sua finalidade foi a de explicar a repetência não só pelas deficiências dos alunos, mas por outros fatores como: características individuais dos alunos, as condições familiares, o corpo docente, a interação professor e aluno, bem como: aspectos internos e estruturais da organização escolar.

Chegou-se a conclusão de que a reprovação que é dos fatores da evasão escolar não pode ser atribuídas a causas isoladas, sejam as deficiências pessoais dos alunos, sejam os fatores de natureza sócio-econômica ou da própria organização escolar. Mas, entre as causas determinantes da exclusão (entre as quais as condições de vida e as condições físicas e psicológicas), a mais decisiva parece ser o fato de a escola, na sua organização curricular e metodológica, não estar preparada para utilizar procedimentos didáticos adequados para trabalhar com crianças pobres.

Os procedimentos didáticos que acabam discriminando socialmente as crianças são muitos. Por exemplo, já no início do ano letivo o professor costuma ''prever'' quais os alunos que serão reprovados. Geralmente essa previsão errônea acaba se concretizando, pois os reprovados no final do ano são geralmente aqueles já ''marcados'' pelo professor.

É também comum, os professores justificarem as dificuldades dos alunos em muitas matérias ou área do conhecimento pela pouca inteligência, imaturidade, problemas emocionais, falta de acompanhamento dos pais e falta de limites (termo este, muito utilizado nos dias atuais). É verdade que esses problemas existem, mas nem por isso é correto colocar toda a culpa no fracasso dos alunos e dos pais. Há fatores hereditários que determinam diferentes tipos de inteligência, mas a maioria dos alunos são intelectualmente capazes. Além disso, a influência do meio, especialmente do ensino, pode facilitar ou dificultar o desenvolvimento da inteligência. Se o meio social em que vive a criança não pode prover boas condições para o desenvolvimento intelectual, o ensino pode proporcionar um ambiente necessário de estimulação e é para isso que o professor se prepara profissionalmente.

A escola e os professores têm sua parte a cumprir na luta contra o fracasso escolar, resultante na evasão escolar. E, sem dúvida, o ponto vulnerável a ser atacado nesse combate é a alfabetização. O domínio da leitura e da escrita, tarefa que percorre todas as séries escolares, é a base necessária para que os alunos progridam nos estudos, aprendam a expressar suais idéias e sentimentos, aperfeiçoem continuamente suas possibilidades cognoscitivas, ganhem maior compreensão da realidade social. O ensino significativo, bem como a aprendizagem significativa, que possibilita a mudança do perfil conceitual do aluno é fator de uma alfabetização bem conduzida que instrumentaliza a agirem socialmente, a lidarem com as situações e desafios concretos da vida prática: é meio indispensável para a expressão do pensamento, da assimilação consciente e ativa de conhecimentos e habilidades, meio de conquista da liberdade intelectual e política.

NELSON ÁVILA SIMÃO é mestre em ensino de Ciências e Educação Matemática e professor de Química do Colégio Estadual Vicente Rijo em Londrina

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