Evasão de alunos no mundo todo
A evasão no ensino superior é alta - no mundo todo. No Brasil, as universidades federais não têm mecanismo para preencher as vagas deixadas pelos alunos que desistem dos cursos. Por que entram 30 e se formam 3, 4, 5 ou 10?, pergunta Maria Helena Guimarães de Castro, secretária interina de Educação Superior e presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ela se lembra de ter dado aula na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para três alunos, num curso sobre A Crise do Bem-Estar Social: Quinze se matricularam, dez apareceram no primeiro dia, sete trancaram em maio e três concluíram.
Mas a fuga não é só de alunos. Há professores que não comparecem às salas de aula, exageros e desvios, testemunha Luiz Felippe Perret Serpa, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Há professores que se intitulam professores da pós-graduação. Não existe isso. A responsabilidade é das instituições, que não tomam providência.
Nas universidades públicas, metade trabalha e a outra metade não trabalha, calcula João Lúcio de Azevedo, aposentado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Quem trabalha tem que dar conta do recado.
Não há nenhum controle, como atestou o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes do Ensino Superior (Andifes), Carlos Roberto Antunes, em novembro de 2001, quando o governo liberou dinheiro para pagar só os professores que não estivessem em greve: Os reitores não têm como saber quem está trabalhando.





