Com a classificação da Croácia diante da Inglaterra nesta quarta-feira (11), foi definida a final da Copa do Mundo da Rússia: no domingo (15), a seleção do leste europeu vai tentar seu primeiro título mundial contra a França, campeã em 1998. Independente de quem será a vencedora, será a quarta vez seguida que uma equipe da Europa conquistará o troféu mais cobiçado do futebol.

O Velho Continente e a América do Sul são os protagonistas da história da modalidade, já que sempre revelaram os principais jogadores e monopolizaram as disputas dos torneios de clubes e seleções. Entretanto, desde a década passada, está ocorrendo um desequilíbrio nessa disputa. Nunca um dos dois lados havia vencido tantas vezes consecutivas, e os europeus aumentarão sua vantagem, com 12 títulos no total contra nove dos sul-americanos, que não erguem a taça desde 2002. Nas decisões disputadas desde 2006, em apenas uma ocasião (com a Argentina, em 2014) uma seleção da América do Sul esteve na final.

É um domínio que espelha o que já acontece no futebol de clubes, no qual os europeus, ostentando maior poderio financeiro, conquistaram nove dos dez últimos Mundiais. Por que ocorre esse desequilíbrio, já que os sul-americanos seguem revelando jogadores notáveis, como Messi, Neymar e Suárez?

A explicação é que na era do esporte globalizado, em que a organização e o planejamento se tornaram ainda mais importantes, os sul-americanos ficam para trás pela forma caótica como administram seu futebol. No ano passado, jogadores uruguaios fizeram uma greve exigindo melhores condições de trabalho. Os três presidentes anteriores da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) foram denunciados por participação em escândalos de corrupção, e o terceiro foi destituído do cargo pela Fifa. A gestora mundial do futebol também interveio na AFA (Associação do Futebol Argentino) há dois anos, devido à crise administrativa e financeira na entidade, que também teve o presidente à época denunciado por corrupção.

Essa deficiência na administração do futebol gera efeitos perversos: os campeonatos nacionais se tornam menos atrativos, os clubes perdem receita e não conseguem segurar seus melhores jogadores; jovens craques se transferem cada vez mais cedo para a Europa, perdendo identidade com as seleções nacionais e na Copa são treinados por técnicos locais, muitas vezes com conhecimentos defasados na comparação com os que trabalham na Europa; e as seguidas derrotas fazem o torcedor se encastelar no apoio a seus clubes, desprezando os selecionados nacionais. Este ano, a mobilização dos brasileiros pela Copa esteve muito aquém da ocorrida em outros Mundiais.

O rebaixamento de gigantes como Brasil, Argentina e Uruguai ao papel de coadjuvantes na Copa do Mundo, que já ganharam nove vezes e na qual agora não conseguem chegar às semifinais, causa ainda mais constrangimento porque não há nenhuma perspectiva de mudança nesse quadro. Seleções sul-americanas podem voltar a ganhar o Mundial, mas provavelmente será resultado unicamente do esforço de comissão técnica e jogadores – como sempre foi. Porém, como temos visto, a Copa não anda perdoando improvisos.

mockup