Europa apóia os EUA
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 2003
Márcio C. Coimbra 
A opinião pública está sendo levada a pensar que a ação militar contra o Iraque é uma atitude unilateral dos Estados Unidos. Foi fornecida ampla cobertura sobre as declarações de países como França e Alemanha, contrários a guerra. Além disto, estas nações foram alçadas à condição de supostos defensores da paz, líderes de uma hipotética posição européia contrária ao conflito. A posição dominante na Europa, contudo, é outra. O Velho Mundo, ao contrário do que se imagina, apóia os Estados Unidos em uma ofensiva militar contra Saddam Hussein.
França e Alemanha aparecem, neste momento, como duas vozes isoladas na Europa. Não é à toa que o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, classificou os dois países como a ''velha Europa''. O dirigente do Pentágono não estava errado. A Alemanha, sem expressivo poder bélico desde a Segunda Guerra Mundial, tinha sua força nos belos números de sua economia. Entretanto, desde a reunificação e em especial durante os anos de Schröder à frente do governo, a economia sofre e o nível de desemprego tem atingindo patamares preocupantes (4 milhões de desempregados ou 9,9%). A França, depois de viver nas mãos dos socialistas desde 1997, sob a liderança de Jospin, devolveu o poder aos gaullistas, contudo, a retórica francesa antiamericana continua, independentemente dos governos que ocupam o Elysée.
Contrariando as posições de França e Alemanha, os dirigentes da Itália, Inglaterra, República Tcheca, Hungria, Polônia, Portugal, Espanha e Dinamarca apresentaram uma carta aberta em apoio aos Estados Unidos, mostrando repúdio total a qualquer possibilidade de terrorismo, especialmente via armas de destruição de massa. O documento lembra que o bom relacionamento entre Estados Unidos e Europa, quando em teste, sempre se mostrou forte. Ressaltou que em grande parte à bravura, generosidade e visão dos EUA, a Europa se libertou das duas maiores formas de tirania do século XX, o nazismo e o comunismo.
Exatamente devido à cooperação entre os Estados Unidos e a Europa foi possível manter a paz e a liberdade no Velho Mundo. Logo, esta união não pode se quebrar, ao contrário, deve ser mantida e fortalecida nos momentos em que o mundo enfrenta uma situação de risco a segurança e a liberdade como atualmente. O Iraque violou resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e deve ser desarmado. O Conselho de Segurança deve agir, para assim manter sua credibilidade. Este foi o recado da Europa.
Percebemos presenças importantes neste documento. São países que conhecem o perigo que regimes totalitários representam para o mundo. A Inglaterra por sua força histórica, pois foi a brava nação européia a resistir aos devaneios megalomaníacos de Hitler. O governo de Londres, personificado por Winston Churchill, foi um dos poucos responsáveis por vencer o nazismo. A Espanha, que já viveu nas mãos de Franco e sofre com o terrorismo basco do ETA. A Itália, que viveu o fascismo de Mussolini e o terrorismo das Brigadas Vermelhas. Hungria, Polônia e República Tcheca, assoladas pelos horrores do comunismo. Portugal, que passou décadas nas mãos de Salazar. A Dinamarca lembra ainda dos perigos do nazismo.
Rumsfeld parece estar certo. A ''nova Europa'', ciente das experiências históricas e preocupada com o bem estar de seu povo e do mundo, desvinculou-se da ''velha Europa'', arraigada a um sentimento de uma suposta necessária independência de Washington. Novos líderes, sabedores de sua responsabilidade, enxergam a necessidade de desarmar o Iraque. Depois das provas mostradas por Colin Powell na ONU, não há dúvida, como ressaltou George W. Bush. O jogo acabou. Saddam será desarmado, com o apoio de uma Europa lúcida e ciente de suas responsabilidades.
MÁRCIO CHALEGRE COIMBRA é advogado e mestrando em Relações Internacionais na UnB, em Brasília.


