Eucaristia: Corpus Christi
A Eucaristia é o amor surpreendente, extremado, excessivo, exagerado de Deus pelos seus filhos e filhas. Quanta humildade da parte de Jesus na Eucaristia e quanta honra para quem comunga. Os santos, os teólogos, os convertidos, os biblistas não se cansam de confessar que Jesus na Eucaristia é pobre e humilde, alimento dos fracos, presença amiga, consolo dos aflitos, companheiro de viagem, amigo dos pecadores. A Eucaristia é o "amor enlouquecido de Deus pela humanidade" (Santo Afonso).
Pela Eucaristia acontece a continuação sacramental da Encarnação de Jesus. Deus quer estar perto, fazer tenda entre nós. Ele continua sendo o servidor da mesa, o pão para a vida do mundo, o cordeiro imolado, o rei e centro dos corações. Na Eucaristia está o remédio dos doentes, a consolação dos aflitos, o pão que sacia todas as fomes. A Eucaristia cria relação de aliança, de amizade, de intimidade entre nós e com Deus.
É também uma escola de comunhão, de unidade, de reconciliação. Eucaristizar a vida consiste em a gente se doar, servir, se sacrificar para a glória de Deus e a salvação dos outros. Outra lição do altar e do sacrário é a gratuidade, a generosidade e o saber agradecer. É nosso dever e salvação dar graças ao bom Deus e sermos agradecidos aos outros.
A Eucaristia, escreve o papa Bento 16, tem um caráter social porque é o pão repartido. Este sacramento nos empenha a colaborar por um mundo mais justo e fraterno. Jesus, antes de multiplicar os pães ordenou: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Mt 14,16). A união com Cristo é ao mesmo tempo união com os irmãos.
Jesus, pão da vida, impele a todos a estar atentos às situações de indigência, às desigualdades sociais, às migrações em massa, aos gastos com armamentos. Tudo isso cria um "exército ilimitado de pobres" (Bento 16). O alimento da verdade leva-nos a denunciar todas as situações indignas do homem por causa da injustiça, da corrupção e da exploração. Desde o início os cristãos tiveram a preocupação de partilhar os bens, de ajudar os pobres. Nós que cremos na presença real de Jesus na Eucaristia não podemos ficar inativos perante a depredação da natureza, da economia sem coração, da globalização da indiferença.
A festa de Corpus Christi é uma manifestação publica da fé na presença de Jesus na Eucaristia. É também um apelo para que saibamos seguir Jesus caminho, verdade e vida. Somos peregrinos em procissão para a casa do Pai. Porém, não podemos esquecer aquela procissão que nos leva aos irmãos, às casas, aos presídios, aos hospitais, aos excluídos. Cada dia fazemos a procissão para o nosso trabalho cotidiano. Estes são caminhos de santificação. A procissão de Corpus Christi é um apelo para que sejamos permanentemente a "Igreja em saída", Igreja missionária. Dos pés do sacrário vamos aos pés dos irmãos. "Jesus missionário, neste sacrário, és meu encanto, enxuga meu pranto, dai-me coragem e vigor" (Hino sobre a Eucaristia).
Santo Tomás de Aquino dizia que para falar da Eucaristia a eternidade é muito curta. Ele perguntava: que pode haver de mais admirável que este sacramento? Sem dúvida, o maior acontecimento de nosso dia é a comunhão eucarística. Santo Afonso de Ligório nos convida a meditar sobre "as finezas de Jesus na Eucaristia". O calvinista, doutor nas Sagradas Escrituras, convertido ao catolicismo, o dr. Scott Hahn, define a missa como "céu na terra".
Se quisermos a libertação dos vícios, a pacificação das paixões, a cura das fraquezas, o remédio dos maus desejos, a ordenação dos afetos, aproximemo-nos da Eucaristia.
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