EUA reconhecem importância do Brasil para a Alca
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sábado, 25 de outubro de 2003
Silvio Oricolli<br>Reportagem local 
Washington, EUA -''O Brasil desempenha um papel muito importante na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Alca'', afirmou um graduado funcionário do governo norte-americano, que já esteve no Brasil como diplomata. E lembrou que toda a negociação comercial é complexa, com desafios a ser superados, principalmente porque, no caso do novo bloco, envolve 34 países. ''O eixo central dos entendimentos se passa entre os Estados Unidos e o Brasil, que tentam resguardar seus interesses. No entanto, precisam ser harmonizados para se chegar a acordo satisfatório e mais abrangente para todos.''
Segundo a fonte, é necessário buscar definir de vez questões como direitos à propriedade intelectual, situações da indústria farmacêutica, eletrônica e até a mídia, entre outras. E disse ainda que, para esclarecer dúvidas acerca dos benefícios da Alca, os líderes de cada país participantes do bloco devem se esforçar para esclarecer a população de seu país que o acordo de livre comércio trará benefícios a todos, inclusive aos EUA. O entendimento, de acordo com o funcionário, permitirá estabelecer o cronograma para 2005.
O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, disse que a participação na Alca tem de ser resultado de uma negociação de contrapartida. ''Não pode ser apenas e simplesmente um abre porteiras. E, mesmo reconhecendo o poderio dos EUA, é preciso levar em consideração os interesses do Brasil.'' Para o empresário, o novo bloco passa pelos conceitos de sustentabilidade econômica e internacional.
Ele explica que no aspecto econômico, o País tem de se ser mais competitivo, desonerando as exportações, investir em infra-estrutura e praticar juros mais civilizados. Quanto à sustentabilidade internacional é preciso deixar claro aos EUA que, ''se realmente querem nosso ingresso na Alca, têm de atender as nossas reinvidicações, principalmente o que diz respeito à retirada dos subsídios agrícolas, porque de nada adianta competir em outros setores e manter o subsídio'', comentou.
Domakoski disse que é preciso saber que benefícios a Alca trará ao Mercosul. ''Não é só a questão do sim ou não. É preciso usar o mesmo conceito da União Européia, ou seja, utilizar recursos dos mais ricos para desenvolver os mais pobres, do contrário só iremos agravar as diferenças.'' O empresário enfatiza que a alusão à OMC ilustra bem a situação que levou o Brasil a liderar um grupo de países descontentes em Cancún contra os subsídios agrícolas. Segundo ele, a manutenção deste sistema representaria perda de mais de US$ 500 bilhões até 2015 para os países em desenvolvimento, valor suficiente para retirar mais de 140 milhões de pessoas do estado de miséria. ''De nada adianta o País ser grande exportador de aviões, de papel e celulose e soja. O Brasil é muito mais do que isso'', disse. Mas acha que a Alca vai forçar avanços em busca da competitividade e apressar o processo da sustentabilidade econômica.


