EUA, Iraque e ONU
Depois de invadir o Iraque, sem o apoio da ONU, o governo dos Estados Unidos apresentou um projeto de resolução ao Conselho de Segurança que, em certo sentido, legaliza tudo o que as forças da chamada coalizão fizeram. Mais sério, o projeto outorga às chamadas ''potências ocupantes'', isto é Estados Unidos e Grã-Bretanha, principalmente, o controle dos recursos da exploração do petróleo iraquiano. Somando-se isto aos contratos já firmados com empresas norte-americanas, para a realização de obras de reconstrução no Iraque, tem-se todo o quadro da exploração comercial que estava por trás do discurso de Washington quando insistia no perigo que o regime de Saddam Hussein representava para o mundo.
A impressão que surge diante desta resolução é a de que os Estados Unidos querem que a ONU concorde com a invasão. Não parece fácil. O mesmo Conselho de Segurança que negou, até o fim, a autorização para um ataque ao Iraque, dificilmente endossará, agora, aquela ação. Esta impressão se torna ainda mais forte face às questões econômicas colocadas na resolução. O documento, se aprovado, dá aos Estados Unidos o amparo legal e internacional para assumir de direito o que já está fazendo de fato, o controle do Iraque.
Naturalmente, Washington não precisa de nada disto. Assim como assumiu, sem qualquer preocupação, o ataque, pode prosseguir, inclusive usando os argumentos de costume sobre o direito dos vencedores em uma guerra. Entretanto, o governo norte-americano quer tentar não apenas tornar lícita uma ação que o mundo condenou, mas busca obter o apoio que lhe faltou até agora. Embora manifestando um completo desdém pela opinião pública mundial, os Estados Unidos percebem que sua posição arbitrária apenas cria mais animosidade, em todo o mundo, contra o país e seu povo. Se conseguir o aval da ONU para esta nova etapa, consegue, de algum modo, uma justificativa para suas atitudes anteriores.
Como, porém, o Conselho de Segurança que recebeu o projeto de resolução atual é o mesmo que se posicionou contra a ação bélica, a impressão é a de que será complicada uma aprovação agora. França e Alemanha, que foram vigorosamente contra o ataque não mostram disposição para mudar de opinião, ainda mais outorgando tantos benefícios para os países da coalizão. Assim, a não ser que haja algumas concessões por parte das ''potências ocupantes'', o risco é de se ver repetido no CS da ONU o que aconteceu antes da agressão norte-americana ao Iraque.





