Eu sou a lei
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2020
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Eu sou a lei
Após 16 anos de aparelhamento dos órgãos públicos e de corrupção endêmica, o povo brasileiro cansou e resolveu mudar o chefe do Poder Executivo Federal apostando naquele que se autoqualifica como o paladino da moralidade; da honestidade com as contas públicas; naquele que vai quebrar o paradigma da velha política do toma-lá-dá-cá. Mas como o poder entorpece, o capitão resolveu sair em ato público para apoiar um autogolpe e a supressão dos direitos fundamentais da República, com o consequente fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (doravante eu sou a lei!). Segundo o cientista cognitivo Steven Pinker, a atração das ideias reacionárias é perene, e é preciso fazer sempre a defesa da razão, da ciência, do humanismo e do progresso. Após a segunda grande guerra os responsáveis por governar o mundo começaram por minimizar o nacionalismo exacerbado em favor de direitos humanos universais, leis internacionais e organizações transnacionais, acarretando 70 anos de paz e prosperidade na Europa e no resto do mundo. Quando deixamos de reconhecer esse progresso conquistado a tão duras penas, podemos chegar a acreditar que cada problema é uma afronta que exige responsabilização de malfeitores, a destruição de instituições e a escolha de um líder que restaurará a devida grandeza de um país. Acontece que problemas são inevitáveis, mas são solucionáveis. Vale lembrar, por fim, que nem todo problema é uma crise. Nem toda mudança é o Fim disso, a Morte daquilo, ou o Alvorecer de uma Era Pós-Alguma Coisa. A história ensina que a democracia (e a harmonia entre os poderes da República) ainda é o melhor regime de governo disponível e adotado pela maioria dos países do mundo.
Ricardo Laffranchi – (advogado) - Londrina
Totalitarismo
A relação intrínseca entre sociedade e Estado revela a inexistência de um sem o outro, vertente esta, em que sustenta ser a plenitude do Estado democrático de direito o único instrumento apto para a efetivação da soberania do interesse popular. Recentemente, atitudes manifestas dos que estão representando a nação, propagam obstrução do texto constitucional, por meios tendenciosos, buscando legitimar a concentração do poder de forma totalitária contra o regime democrático. No entanto Montesquieu já previa, “Todo homem que tem o poder é tentando a abusar dele (…). É preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder.”
Henrique Adriano Pazzotti (estudante de direito) -Londrina


