Foi com a frase que intitula meu artigo dessa semana que o nosso presidente da República justificou a possibilidade dos apagões, cortes de eletricidade, aumento dos preços aos que não economizarem. Ora! Até ao mais apagado dos leitores é óbvio o raciocínio de que se o país está crescendo como dizem, crescerão com ele as necessidades de energia elétrica, seja ela gerada por fonte hidráulica, térmica, eólica, solar ou qualquer outra.
Li que uma indústria multinacional, prevendo a atual situação tratou de construir uma usina que fosse suficiente para manter sua atividade independente dos investimentos do governo. Sugiro inclusive que a diretoria dessa empresa seja nossa candidata para o pleito presidencial do próximo ano, pois ela aparentemente está mais bem informada do que o atual detentor do cargo, que agora acusa aos assessores de não lhe revelarem esse fantástico segredo.
Aparentemente o problema não nos atingirá, graças à Copel. Mesmo com alguns defendendo sua venda, no entanto, são necessárias algumas reflexões sobre a metodologia de aplicação da sobretaxa adotada pelo governo, bem como a punição aos que não conseguirem atingir as metas determinadas. Teremos todos, como numa cruzada, que economizar 20% dos gastos com energia a fim de evitar as sanções maiores que passam, inclusive, pelo corte de energia, cujas consequências para um lar prefiro não mencionar, pois sempre me vêm à cabeça os filmes de terror e ficção científica de Hollywood.
A forma encontrada pelo governo para gerir a economia pressupõe que todos nós, sem exceção, somos perdulários de energia. Quem é o governo, sem dúvida o mais perdulário dos consumidores, para dizer que minha família gasta além de suas necessidades? Quem é o governo, que mantém seus prédios acessos durante toda a noite conforme tem nos mostrado diuturnamente a televisão, para supor que eu faça o mesmo em minha residência? A diferença básica é que no primeiro caso o meu bolso é atingido indiretamente e no segundo o efeito é imediato no momento da chegada da conta.
Será que minha casa realmente gasta mais luz do precisa? Discuti com a família e chegamos à conclusão que nosso consumo é equilibrado no sentido em que não existem desperdícios; somente utilizamos as facilidades que o mundo moderno nos oferece, tais como forno de microondas, televisão, computador, tudo com racionalidade e evitando usos indevidos ou ligações inapropriadas às especificações de cada aparelho.
Fiquei ainda pensando naquela outra família que no último ano teve mais um filho, ou que teve que abrigar sob seu teto outros entes queridos por estarem desempregados ou desamparados pela nossa combalida previdência social, e que inapelavelmente aumentou substancialmente seu consumo em relação ao mesmo período no passado. Esse chefe de família pagará em dobro pelos problemas gerados por esse governo medíocre que aí se apresenta.
Esse mesmo governo que aumentou a dívida interna de R$ 60 bilhões para mais de R$ 580 bilhões, esse mesmo governo que atualmente paga serviços dessa mesma dívida na ordem de R$ 150 bilhões enquanto arrecada R$ 148 bilhões. Esse mesmo governo que pressiona sua base política a votar contra a CPI da Corrupção, comprando votos com liberação de verbas para o Estado do político, verbas essas, que a julgar o que sobra após pagar-se os juros da dívida, deverão surgir dessa sobretaxa da energia elétrica.
Tudo isso justificado com um ‘‘Eu não sabia!’’ Se o presidente da República não sabia disso tudo, sugiro que mude de profissão, ou que engorde as filas de desemprego como tem feito tanto trabalhador que sabe mais do que ele.
Diante dessas circunstâncias, que acredito se repetirem na maioria dos lares brasileiros fui forçado a admitir que minha família está diante de um sério problema e ainda, de que por termos sido econômicos durante toda nossa vida, ainda assim pagaremos um alto preço pela ineficiência do governo que se justifica com um simples ‘‘Eu não sabia!’’
- RICARDO PROCHET é professor universitário em Londrina
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