Se um dia o nobre leitor tivesse que criar um conselho, cuja principal função fosse julgar as atitudes de um determinado grupo, levaria em consideração o histórico dos candidatos a uma das vagas, para que não houvesse dúvidas sobre suas decisões? Pois bem, no Senado brasileiro a regra não se aplica.
Na última quarta-feira os novos membros do Conselho de Ética foram eleitos e têm, entre seus membros, nomes que enfrentam processos na Justiça ou já tiveram que explicar suas atitudes aos demais companheiros.
Pelo menos oito dos 15 titulares indicados pelos partidos respondem a processos ou a inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO), Mário Couto (PSDB-PA), Gim Argello (PTB-DF), Jayme Campos (DEM-MT), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).
Pela terceira vez à frente do colegiado, João Alberto Souza (PMDB-MA), um dos maiores aliados de José Sarney, tem entre seus maiores feitos o arquivamento de todos os processos apresentados durante o seu mandato, ajudando a salvar muitos companheiros de partido.
Mas com certeza uma das maiores ''estrelas'' do grupo é o senador Renan Calheiros. Em 2007, o alagoano respondeu a cinco representações, que se transformaram em dois processos por quebra de decoro. Ele foi absolvido em plenário, mas para salvar a própria pele precisou renunciar ao cargo de presidente.
Em entrevista, o (velho) novo presidente do Conselho afirma que não vê problemas no fato de alguns parlamentares indicados a integrar o órgão respondam a inquéritos ou processos na Justiça. Só para lembrar, a função do Conselho é zelar pela observância dos preceitos de ética e do decoro.
É incrível como uma Casa que representa a sociedade consegue ignorar de tal forma os anseios dos eleitores. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), único a votar contra as indicações dos partidos, desabafou: ''Tem hora que acho que o Senado busca o suicídio''. O problema, senador, é que está no caminho certo.

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