Em meio a uma grave crise econômica, em que as famílias têm que lidar com aumento da inflação, das tarifas controladas e com o desemprego, quase a metade das 25 câmaras municipais da Região Metropolitana de Londrina (RML) articula o aumento de vagas para a próxima legislatura ou o aumento dos salários dos vereadores. É um momento totalmente inadequado para esse tipo de discussão e mostra o quanto a classe política está distante da realidade da maioria da população.
Ainda que o aumento do número de cadeiras esteja autorizado pela Constituição Federal ou que os vereadores estejam sem reajuste salarial há algumas legislaturas, como alegam presidentes das câmaras consultados pela reportagem, é preciso reforçar que a atual conjuntura é bastante desfavorável. Além disso, os argumentos para que ocorram as mudanças não parecem sólidos, uma vez que se baseiam na velha política do assistencialismo e do favorecimento a alguns eleitores – práticas que estão na contramão da própria função do Legislativo e da política moderna.
No entanto, há que se ressaltar que os eleitores também são culpados. Em primeiro lugar porque não fiscalizam os atos dos agentes públicos e, depois, porque também querem tirar vantagens pessoais desses administradores. É por isso que ainda ocorre a compra de votos antes das eleições; depois do pleito, vem a fase dos favores pessoais, como o pagamento de contas ou a compra de remédios e outros bens de primeira necessidade para seus eleitores, como relatam os próprios vereadores. Sem a prática, eles alegam que não se elegem mais.
A moralização da atividade política só ocorrerá a partir da mudança de comportamento da população. Quando a sociedade passar a acompanhar, fiscalizar, cobrar uma conduta ética de seus representantes e punir os erros de conduta, a corrupção será reduzida. Sem essa mudança de paradigma, o ciclo de desvio de recursos, enriquecimento ilícito e pequenos favores a alguns eleitores tende a perdurar.

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