Eterno vai-e-vem termina em arquivo
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 2003
Equipe da Folha 
A burocracia nos inquéritos encarregados de apurar ações de policiais é evidenciada na investigação da tentativa de fuga que terminou na morte de Valdeir Soares Santos, 24 anos. Depois de fugir e ser recapturado em agosto de 2001, ele tentou fugir da Cadeia Pública Laudemir Neves, em Três Lagoas, em 5 de novembro daquele ano.
Ele, juntamente com outros quatro detentos, foi flagrado por policiais militares perto das 3 horas sobre o telhado aguardando o melhor momento para fuga. Valdeir, ''armado, reagiu à ordem para se entregar, atirou em direção a um policial, que revidou e atingiu fatalmente o detento'', descreve o inquérito.
O laudo de necropsia descreve um tiro no peito direito e ''extensa área de chamuscamento em região torácica, cervical, antebraço, braço do lado esquerdo, além de escoriação no lado esquerdo do rosto. Apesar da proximidade desse segundo disparo, o laudo não aponta orifício de entrada de projétil, ou seja, o tiro, à queima-roupa, atingiu o interno ''de raspão''.
Quatro policiais militares participaram da ação, mas o inquérito, aberto ainda em novembro de 2001, não chegou a uma conclusão de quem atirou em Valdeir pelo simples fato da ausência da relação das armas usadas no ''confronto''. O Ministério Público Estadual solicitou inúmeras vezes a lista às polícias Civil e Militar, porém não teve o pedido atendido.
Em 22 de maio de 2003, a promotoria decidiu o arquivamento do caso porque ''é certo que o eterno vai-e-vem destes autos a DP (Distrito Policial) mais atravanca o andamento de outras investigações e da própria justiça, do que colabora para a elucidação dos fatos''. O caso foi arquivado em 4 de junho deste ano.


