Eta família!
Cá distante dos palcos onde se realizam os jogos da Copa 2002, o domingo, 2 de junho, foi de apreensão. Parece que só o Brasil sabia que a contusão de Emerson, além de representar um grande desfalque para a Seleção Brasileira, significava praticamente o desmonte da base da equipe armada por Luiz Felipe Scolari.
As redes nacionais de tevê diretamente envolvidas na cobertura da Copa e as equipes de rádio e jornais impressos não tocaram no assunto. Apenas noticiaram o corte de Emerson e a convocação de Ricardinho. A maioria preferiu disfarçar a apreensão usando como fantasia o horário do jogo, 6 horas da manhã de uma segunda-feira. Comentou-se pouco sobre possibilidades: Cafú provavelmente ganharia a tarja de capitão da equipe e Juninho ganharia, de sobra, a possibilidade de crescer na equipe.
Não se cogitou o risco de ter uma família em campo defendendo um País e seus milhões de torcedores. Pois, cá pra nós, pode ser que o efeito psicológico do ambiente familiar tentado por Scolari renda vitórias e glórias. Mas, tecnicamente, eis, com a contusão de Emerson, um sério problema.
Scolari em nenhum momento negou a informação de que Emerson, na equipe, era o seu homem de confiança. Provavelmente, na família Scolari, esse jogador era uma espécie de filho mais velho, aquele com quem o pai confidencia, troca idéias, pede sugestões, impõe responsabilidades além das normais para um jogador de futebol profissional.
É verdade, todo comandante tem um subcomandante. E, na maioria dos casos, esse braço direito também é a peça mais confiável do mecanismo. Mas essa peça não pode ser insubstituível, assim como o foi Emerson. Mas ficou a impressão que Luiz Felipe Scolari, não como técnico, mas como pai, se desarmou. Isso não pode no futebol profissional.
Walter Ogama





