Estupros e segurança pública
É inaceitável que o Paraná figure entre os Estados com maior ocorrência de estupros. Os dados constam no 8º Anuário de Segurança Pública, divulgados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No ano passado foram registradas 3.584 ocorrências, crescimento de 1,7% em relação a 2012. A taxa desse crime por 100 mil habitantes ficou em 32,5%, índice acima da média nacional que ficou em 25%. Em números absolutos o Paraná só está atrás de São Paulo (12.057) e Rio de Janeiro (5.613). Supera outras unidades mais populosas, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia.
É um número estarrecedor porque demonstra claramente o comportamento de parte da sociedade que, apesar dos avanços ocorridos nas últimas décadas, continua a não respeitar as mulheres. Infelizmente, é resquício de uma cultura machista que insiste em subjugar o sexo feminino. Ainda que as notificações tenham aumentado, o que consequentemente impacta nos números como podem argumentar autoridades de segurança pública não deixa de ser chocante.
Outro ponto importante são as subnotificações. De acordo com os especialistas que elaboraram o anuário, pesquisas internacionais apontam que apenas 35% das vítimas de estupro procuram a polícia para denunciar o crime. Vergonha, culpa, medo do agressor e até mesmo falta de informação contribuem para que a prática continue. Sem punição, o ciclo de violência não se encerra. É preciso que as vítimas se sintam encorajadas a denunciar e que sejam amparadas pela família, pela sociedade e pelo Estado.
Além disso, a população tem que cobrar ações mais efetivas de segurança pública. Aumentar o efetivo policial e manter o policiamento ostensivo são ações fundamentais, mas o problema carece de um conjunto de ações. Não é restrito ao âmbito estadual. É preciso que seja feito o monitoramento das fronteiras, para evitar a entrada de armas e drogas, por exemplo. Soluções únicas e sem continuidade não melhorarão os índices de segurança registrados no País.





