A Copel recebeu esta semana os estudos técnicos de impacto ambiental e de pré-viabilidade técnica e econômica para a construção das usinas hidrelétricas de Cebolão e Jataizinho, no Rio Tibagi. Além de aumentarem em 10% a capacidade atual de produção energética do Paraná, as duas usinas são estratégicas para a região de Londrina.
Jataizinho a 5 km e Cebolão a 35 km rio acima da ponte que liga os municípios de Ibiporã e Jataizinho representam a garantia que as grandes empresas exigem para se instalar na região. A construção das hidrelétricas, que estarão funcionando até 2003, significam maior qualidade e segurança no fornecimento de eletricidade, pois estarão mais próximas de Londrina. Atualmente, o suprimento de energia elétrica se faz por linhas de transmissão, que percorrem grandes distâncias e representam sempre um risco extra para as indústrias.
De acordo com os estudos feitos pelo Consórcio Intertechne-Leme-Engevix-Esteio, contratado pela Copel há um ano para fazer o levantamento inicial, Cebolão terá uma pontência instalada de 168 megawatts(MW) e Jataizinho 155 MW, o que perfaz 323 MW. Como a capacidade da Copel atualmente é de 3.300 MW, as duas usinas representam 10% a mais de energia com um mínimo de impacto ambiental.
Juntos, os reservatórios das duas hidrelétricas não inundarão mais que 59,3 quilômetros quadrados, sendo que um terço disto é formado pelo leito do próprio rio. A usina de Jataizinho terá uma área inundada de 2.240 ha e a usina de Cebolão de 1.800 ha. O nível de impacto ambiental é praticamente nulo, uma vez que as terras alagadas já perderam sua cobertura original há muito tempo. Nos dois casos, cerca de 93% do solo são usados para pastagens, agricultura e capoeira. Das 148 propriedades incluídas no estudo de impacto ambiental, para serem cobertas pelo reservatório de Cebolão, apenas duas serão totalmente inundadas, o que representa 1,35% de toda a área. Já o lago de Jataizinho cobrirá 176 fazendas e somente 11 delas em sua totalidade, o que equivale a 6,25% do reservatório.
Os estudos de viabilidade começam agora a percorrer as vias burocráticas: serão enviados ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE, órgão do Ministério de Minas e Energia responsável pela concessão do uso das águas para fins de geração de energia. ‘‘Nossa expectativa é que a licitação seja realizada em 1997, para que as usinas estejam funcionando em 2003’’, afirma o presidente da Copel, Ingo Hubert. A empresa, que já havia recebido autorização para contratar os estudos de pré-viabilidade, quer também participar da concorrência para a construção das duas usinas hidrelétricas. Por ter experiência na construção de usinas muito maiores, a Copel está preocupada em reduzir ao máximo os prejuízos ambientais: ‘‘É importante que a população afetada saiba que, se for a Copel a vencedora da licitação, estaremos empenhados em reduzir ao máximo o impacto sobre o meio ambiente, assim como estamos fazendo em Salto Caxias’’, ressalta Ingo Hubert. ‘‘Quem leva adiante obras como esta e investe um terço do seu valor total (cerca de US$ 220 milhões) em 26 programas sociais e ambientais, pode tratar com mais experiência a tranquilidade de reservatórios menores, como os de Cebolão e Jataizinho’’, afirma o presidente da Copel.
Segundo Ingo Hubert, com a tecnologia existente é possível conseguir o máximo rendimento energético com o mínimo de prejuízo para o meio ambiente e para as pessoas atingidas, direta ou indiretamente, pela construção das hidrelétricas.

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