A teoria da falta de informação fica ainda mais desacreditada quando se consideram as jovens mães reincidentes. Dados da PNDS de 1996 mostram que 10% das brasileiras com idades entre 15 e 19 anos já tinham mais de um filho. De outro estudo (‘‘Desenvolvimento da sexualidade e da relação materno-filial em gestantes adolescentes’’, publicado em 1997), realizado no Programa Integrado de Assistência e Educação à Adolescente Grávida (Piaega) do Ambulatório de Obstetrícia do Hospital das Clínicas de São Paulo, consta que uma em cada quatro adolescentes atendidas (na faixa etária dos 12 aos 18 anos) não estava na primeira gestação.
A presidente do Comitê de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj), Maria de Fátima Coutinho, acredita que, para resolver a questão da gravidez na adolescência, é necessário que ela seja tratada de forma exclusiva, seja na prevenção ou no pré-natal. ‘‘O pré-natal para a adolescente não pode ser o mesmo da mulher adulta’’, considera.
Dependendo do caso, Maria de Fátima sugere que a gestante vá a um pediatra em vez de um obstetra. ‘‘O importante é que ela se sinta acolhida, para que se forme um vínculo para orientação médica e emocional’’, salienta.

mockup