Estudantes e professores: Cadê o Enem?
O diretor de um dos maiores cursos preparatórios do Paraná liga para esta FOLHA para fazer um alerta ''em defesa dos interesses de milhares de estudantes e e suas famílias''. Diz que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - que considera uma conquista -, pode voltar a ter problemas por falta de informações suficientes às universidades. ''Tudo parece um grande improviso, quando se sabe que não é; mas faltam informações, o que é grave para quem já tem a credibilidade abalada''.
O nosso leitor tem razão se considerarmos que a três meses da realização das provas, marcadas para os dias 6 e 7 de novembro, há pouca informação oficial e nenhuma campanha - justamente em um governo que ocupa a mídia por qualquer motivo, sempre dando uma conotação (eleitoral) de que fora o inventor de tudo.
Coincidentemente, ontem o tema Enem foi alvo de críticas na grande imprensa. Uma das falhas foi o contrato com as empresas que organizarão a prova: ainda não foi assinado. Sem o acordo formal, Cespe/UnB e Fundação Cesgranrio - que aplicarão essas provas - não podem iniciar nenhuma atividade, da contratação de fiscais à definição da logística. A gráfica também permanece em processo de licitação, conforme denuncia o repórtr Paulo Saldaà, da Agência Estado.
Gráfica? Quando se fala em gráfica alguns pais se assustam, pois foi em uma gráfica que ocorreu a quebra de sigilo tão grotesta, ainda viva na memória de milhares de famílias de estudantes. O vazamento das provas e dados de estudantes, denunciado na oportunidade por um repórter do Jornal O Estado de São Paulo, foi uma lição para as autoridades - ''mas nem tanto'', segundo o leitor. Em 2009, o curto tempo de planejamento do Enem foi apontado como um dos percalços que desembocaram no vazamento da prova. Depois da denúncia o Ministério da Educação (MEC), adiou o exame.
Sobre o vazamento: não se trata apenas de um incidente relacionado com as provas. O que restou desse descuido (para não dizer irresponsabilidade) foi a exposição dos dados pessoais de 12 milhões de estudantes. Queira Deus que esses nomes - isto é que essas pessoas - não sejam potenciais alvos de delitos.





