Há 28 anos, em 25 de setembro de 1972, os estudantes da então recém-criada Universidade Estadual de Londrina (UEL) fundaram o Diretório Central dos Estudantes. Recentemente houve eleições para a renovação da diretoria da entidade e a chapa ‘‘Para construir um DCE de verdade para lutar por uma Universidade de verdade’’, a única inscrita, foi escolhida para dirigir os seus trabalhos. Pela leitura do manifesto da chapa constata-se que o principal desafio que enfrentam as novas lideranças estudantis é a própria reestruturação do DCE, enfraquecido pela perda de representatividade e pouca transparência em algumas de suas atividades internas.
Coincidentemente, neste mesmo dia 25, segunda-feira próxima, estará sendo realizada na sede da Associação Médica de Londrina uma Assembléia Geral de ‘‘refundação’’ da Associação de Ex-Alunos da UEL. Essa entidade, criada em 1988, há seis anos deixou de desenvolver suas atividades. A morte do professor Osmy Muniz, seu fundador e presidente, foi um duro golpe para uma entidade que ainda não havia lançado raízes sólidas. Os ex-alunos que têm discutido o assunto e se dispõem a reestruturar a entidade foram, em geral, ativos participantes do movimento estudantil dos anos 70.
Além da coincidência da data, há outras identidades entre o DCE e a Associação de Ex-Alunos. São potencialmente organismos políticos com capacidade de contribuir para o fortalecimento da universidade, através das suas críticas e sugestões ou, no caso dos estudantes, reivindicações. Ambas têm o legítimo interesse de ver a elevação contínua da qualidade das atividades acadêmicas. Apesar das falhas e deficiências, a UEL desponta hoje no cenário nacional como uma das boas universidades brasileiras, que dá orgulho a quem nela estudou.
Mas devemos reconhecer que são muito tênues os laços que existem entre a universidade e seus ex-alunos. De 1971, até julho deste ano, 35.213 profissionais receberam seu diploma pela UEL. Uma pequena minoria, geralmente os que optaram em seguir a carreira acadêmica, retornou a frequentar a universidade por ocasião de cursos de pós-graduação. A grande maioria só volta a ter contato com a UEL por ocasião das festas comemorativas dos 5, 10, 15 ou mais anos de formados.
Lamentavelmente essa situação é uma realidade na maioria das universidades brasileiras. São raras as que contam com uma ou mais associações de ex-alunos atuantes. Com isso, perde a universidade, que poderia ter um canal privilegiado de consulta e aferição permanentes sobre os próprios programas de ensino que desenvolve, identificando, através das dificuldades enfrentadas pelos profissionais formados, correções a serem feitas. E também perdem os ex-alunos, que poderiam desfrutar de programas de educação continuada, cada vez mais necessários diante da rapidez do desenvolvimento científico e tecnológico.
A iniciativa de reorganizar a Associação de ex-alunos da UEL deve ser apoiada e fortalecida. Afinal, quem pode ser contra?!
- MARCIO ALMEIDA é vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fundador e primeiro presidente do DCE

mockup