De um lado a estrela do PT em ascensão como em momento algum de sua rota, de outro a convocação do ''star sistem'' da Globo para tentar o que parece impossível na ''virada'' de Serra. Além de Regina Duarte, cuja presença causou estragos e provocou uma tempestade de protestos, fala-se no alinhamento de Beatriz Segall, aquela que faz a mãe do Morruga na telenovela ''Esperança'' e que foi a Odete Reutmann morta pelo Salomão Ayala na outra, à campanha do PSDB. Segue-se, à cada aparição, o ''patrulheirismo'' dos colegas da corporação e que estão do outro lado. O que também deve ser encarado como rigorosamente normal quando a paixão toma conta de tudo e cada vez é maior o número de ingênuos que acreditam na colheita da semeadura de esperanças, feita de forma irresponsável, mas que atende uma demanda comum do eleitorado.
Já o disse e repito-o (convenhamos que essa construção é pegajosa pacas): povo que precisa de salvadores não merece ser salvo. Da mesma forma que o rei do futebol, Pelé, vira cabo eleitoral de Alvaro Dias, os artistas têm todo o direito de opção e também, se for o caso (o que também não é crime), de ganhar algum numa exposição pública em favor de um candidato.
Schwatzemberg, autor de ''O Estado Espetáculo'', que desdobrou a teoria de Gui Debord em ''A Sociedade do Espetáculo'', teria aí matéria de primeira para ilustrar as suas teses. Todos nós prestamos vassalagem ao espetáculo e ninguém dela se serve com maior frequência do que a chamada classe política.
BIZARRICE Anuncia-se a entrada em cena de Carlos Vereza em favor de Serra e com medo de Lula. Um cara sinistro como ele ter medo de alguém, já que a sua figura é que intimida, é uma forma de extrapolar a paranóia.
AXIOMA Um ''tracking'' (varredura telefônica de pesquisa) indicou que Lula estaria com 56 e Serra com 38, quatro pontos de queda para o primeiro e subida de oito para o segundo. Esse sistema no DataFolha surpreendeu em precisão em cima das próprias pesquisas de campo. Pelo jeito as pancadas funcionaram.
GLOSA Viu o debate na tevê e não teve dúvidas: as mesuras eram tantas que dentro em pouco os digladiantes acabariam dançando o minueto.
EPIGRAMA R$ 5 mil para quem indicar o paradeiro de Afrânio Bandeira, aquele que fez o papel do ''Ferreirinha'', vivo ou morto, é a nova peça da campanha do lado pesado. A oferta vai aumentar diariamente. Detalhe: no ''Ferreirinha'' Alvaro e Requião estavam unidos. Isso pode dar mais votos em branco e nulos.
FOLCLORE Assessores de campanha em certa medida lembram ''Os Irmãos Corsos'', a novela em que um mano levava uma facada dez quilômetros distantes e outro sangrava ou um gozava pelo amor de outro em hemisfério oposto. Eles, a um só tempo, amarram debates como o de ontem com excesso de regulação e criam tensões sofrendo mais do que os candidatos e reagindo selvagemente. O laranjal precisa ter os seus hormônios sob controle.
CROMO O giz e o apagador no quadro negro: o primeiro dia da criação, algo bem próximo do elogio da página branca de Mallarmé.
AFORÍSTICO A pessoa mais apta para análise política é o coprologista.
VINHETA Discussão sobre paternidade de obras nessa campanha é prova de que os dois candidatos não têm a mínima humildade para reconhecer que governo é, antes de tudo, continuidade. Usina de Segredo começa com Richa, tem continuidade com Alvaro que denuncia o cartel e é concluída por Requião. Muitas das obras que se atribuem Lerner concluiu e ainda pagou.
SCAPS Eleição liberta e melhora, mas também enoja. Tem-se a impressão, às vezes, que não passa de ''merchandising'' do Engov.
ASTERISCO Como Alvaro e Requião prometem limpar a polícia, transferimos o medo da população para a banda podre, se é que essa promessa vai ser cumprida.

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