Estratégia para voltar a crescer
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de baixar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual teve um efeito psicológico logo no anúncio. Pela primeira vez, em dois anos, os juros voltaram a um dígito, pois caiu de 10,5% para 9,75% ao ano. A queda era esperada, mas o índice surpreendeu os analistas que aguardavam que a redução se mantivesse na casa de 0,5 ponto percentual.
A motivação para derrubar a Selic em 0,75 é uma tentativa de melhorar a economia brasileira. Esta semana, o Banco Central anunciou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu em 2011 apenas 2,7%. A presidente Dilma Rousseff até esperava um crescimento ruim, mas em torno de 3% a 3,5%, e culpou a crise internacional pelo resultado fraco. A preocupação com o PIB deve influenciar a decisão que será tomada na próxima reunião do Copom, marcada para 18 de abril e os analistas de mercado apostam em mais uma redução, de 0,5.
Com juros mais altos, as empresas investem menos, já que os empréstimos para a produção ficam mais caros. As pessoas também consomem menos porque o crediário é mais caro.
Por outro lado, o juro mais alto ajuda a controlar a inflação, pois o crescimento da demanda pode pressionar o preço para cima. No ano passado, a inflação voltou a assustar o brasileiro, acumulando alta de 6,5% - a pior desde 2004. Para este ano, o Banco Central tem como meta uma inflação de 4,5%.
As decisões do Copom afetam diretamente a vida do cidadão. O controle da Selic é o instrumento usado pelo BC para manter a inflação sob controle ou para estimular a indústria, a geração do emprego e o consumo.
A redução da taxa de juros a 9,75% mostra preocupação do governo em manter o crescimento do País e indica que o Banco Central está disposto a correr risco quando se trata de inflação. Em pouco tempo, o mercado financeiro saberá se a estratégia deu certo.





