Estratégia do varejo antecipa o espírito natalino
Neste ano, as lojas on-line começaram a anunciar os itens de Natal na segunda quinzena de agosto
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 2025
Neste ano, as lojas on-line começaram a anunciar os itens de Natal na segunda quinzena de agosto
Folha de Londrina 
Se você tem impressão de que o "espírito natalino" está chegando cada vez mais cedo na cidade onde você mora, saiba que essa sensação tem fundamento e é explicada por uma estratégia de marketing. Ano após ano, o comércio varejista vem antecipando o clima de Natal em suas vitrines e nas plataformas on-line.
Como mostra reportagem da Folha de Londrina, neste ano, as lojas on-line começaram a anunciar os itens de Natal na segunda quinzena de agosto, logo depois do Dia dos Pais. Já as lojas físicas, pressionadas pela velocidade do mundo virtual, iniciaram suas campanhas de vendas de final de ano ainda em setembro.
Num passado não muito distante, os varejistas esperavam o Dia das Crianças para só então dar início à divulgação dos itens de Natal. Nos últimos anos, no entanto, o cliente que entra no supermercado para comprar doces para presentear as crianças já pode sair com um panetone na sacola.
A estratégia de antecipar o calendário natalino, afirmam os varejistas, permite que os consumidores se preparem melhor para a data que é a campeã de vendas no comércio.
Fontes ouvidas pela FOLHA explicaram a estratégia de antecipar a campanha de Natal como um reflexo da maturidade do setor varejista. Uma das explicações está justamente na descompactação do movimento de pessoas que tradicionalmente se concentra nas últimas semanas de dezembro.
Dessa maneira, as pessoas têm mais tempo para fazer as compras de Natal, de forma mais tranquila, evitando estresse. Pelo lado do lojista, a antecipação da campanha tem como objetivo aumentar o ticket médio e trabalhar com previsibilidade.
Apesar do clima natalino chegar a um cenário econômico de juros altos e inflação, o setor varejista está otimista para este fim de ano. Lojistas entrevistados pela reportagem projetam alta nas vendas entre 5% e 10% em comparação com 2024.
A Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) do Paraná não arriscou um percentual de crescimento, mas projeta uma "alta nominal e real" sobre 2024. Embora a taxa de juros não seja atrativa, o Paraná é um dos estados brasileiros que mais crescem e o bom nível de empregabilidade aumenta o poder de compra da população, impulsionado pelo aumento da renda dos paranaenses. "Os valores brutos em reais provavelmente serão maiores, em parte influenciados pelos preços, com um crescimento modesto no volume de itens vendidos, mas que reflete a boa saúde do varejo paranaense", adiantou o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da federação, Rodrigo Schmidt.
O cenário antecipado do Natal reforça a força do marketing e as mudanças do comportamento do consumidor. Cabe ao público decidir se esse adiantamento do “espírito natalino” reforça o encanto da celebração ou se dilui seu significado em meio à lógica das vendas. De todo modo, o movimento confirma: o Natal, para o comércio, já começou.
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