ESTRATÉGIA ADEQUADA - Anunciar é preciso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
As novidades são despejadas no mercado, a concorrência só faz crescer e inovar é sempre preciso. Em se tratando do lançamento e da manutenção de produtos no mercado, não há qualidade que resista a uma má divulgação.
Os números não deixam dúvidas: somente no primeiro semestre de 2008, os investimentos publicitários em mídia atingiram a marca dos R$ 9,56 bilhões, um aumento de mais de 16% em relação ao ano passado. Os jornais, por exemplo, continuam sendo um dos veículos preferidos: ganharam 19,8% a mais do que na primeira metade de 2007 com a venda de anúncios e classificados. O forte do jornal é a credibilidade.
Para o publicitário Alfredo Reikdal, ousadia e uma comunicação direta com cada um dos meios são iniciativas a serem adotadas pelo empresariado. Em entrevista à FOLHA, Reikdal, que esteve em Londrina durante o IV ENCART - Encontro de Arte e Tecnologia na Unopar - e já realizou trabalhos para O Boticário, Americanas, Brastemp, Coca-Cola e C&A, reflete sobre o atual momento do mercado e dispara: a briga pela atenção do consumidor é de todos contra todos.
O profissional da propaganda tem total controle sobre tudo?
Não. O consumidor tomou as rédeas, é um aliado e também o principal algoz das marcas. Hoje é difícil que o consumidor se engaje e abrace determinada marca. Ele não aceita mais as coisas goela abaixo. A briga pela atenção do consumidor é de todo mundo contra todo mundo. Não há lugar pior para se sentar do que a cadeira de um profissional de marketing.
Nenhum cliente está feliz com o que tem?
Isso é fato. Quem trabalha com a propaganda sabe que 98% do tempo de nosso trabalho é estresse. Trabalhamos, muitas vezes, com orçamentos astronômicos, como, no meu caso, que já trabalhei com uma verba de R$ 350 milhões. Com o tempo, você fica mais imune ao estresse. Mas ele é inerente à profissão.
Por falar em altas cifras, o senhor desenvolveu um trabalho com a Coca-Cola. Quem é páreo para a marca atualmente?
Não são as marcas de refrigerantes concorrentes. Hoje, a Coca-Cola briga com a Nintendo, a Apple, a Puma e a Nike. É importante lembrar que a Coca-Cola é o mesmo produto de décadas passadas, cujos benefícios estão intrínsecos a ''refrescar a sede''.
Qual a atual tendência do mercado da publicidade?
A certeza de que os meios de comunicação não são somente meros distribuidores, mas também apoiadores de grandes idéias. Cada meio de comunicação requer uma ação específica, pois não podemos passar a mesma mensagem se não soubermos a característica do meio. Da mesma forma que Obama faturou milhões ao angariar fundos para sua campanha na internet, temos a mídia impressa, com sua credibilidade única, a televisiva, entre outras, cada vez mais antenadas de como as pessoas consomem as mídias. Por isso que sou partidário da inovação. Sempre.
Mulheres esculturais do comercial de cerveja ou o movimento pela beleza real, de uma marca de cosméticos. Quem vence a trincheira?
A pasteurização deve ser evitada. Hoje, quando vemos uma loira peituda estampada em um impresso, num comercial ou em um bar, já sabemos que se trata do comercial de uma cervejaria. Só resta saber qual. Recentemente, a marca Dove estampou, mundo afora, o ''Movimento pela beleza real'', ressaltando rugas, o poder do Photoshop e todas as artimanhas que criam o conceito falso de perfeição. Abrindo espaço para pessoas ditas ''comuns'', a marca faturou mais de US$ 500 mi em vendas. O poder de uma grande idéia é exatamente gerar o envolvimento.


