ESTRANHO CASO DE AGRESSÃO
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de setembro de 2002
Janaina Hoffmann<BR>Reportagem Local 
Um suposto caso de agressão cometido por um aluno contra uma professora está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar de Londrina. O boletim de ocorrência foi registrado no 5º Batalhão da Polícia Militar.
O caso aconteceu, na semana passada (dia 19), no Colégio Estadual Professor Paulo Freire, localizado no Jardim Piza, Zona Sul da cidade. No braço da professora as marcas das mordidas dadas por um aluno de noves anos, estudante da 3 série, testemunham a ocorrência.
Segundo a professora que não quis se identificar , desde o início da aula o garoto estava inquieto, andava pela sala, passava por debaixo das carteiras e incomodava os demais alunos. ''Estava impossível de continuar com ele dentro da sala'', relata.
Foi então que, ao ver uma das zeladoras da escola no pátio, a professora foi até a porta e pediu para ela comunicar alguém da coordenação para que fosse buscar o menino. No que ela retornou para dar continuidade na aula, viu ele e outro aluno brigando.
Imediatamente, a professora foi separar os dois. Nisso o garoto a teria mordido. A professora conta que não esperava por aquilo e por isso no momento não teve reação alguma. ''Me dei conta do que acontecia somente depois que ele soltou meu braço. Aí fiquei chocada com a situação'', relembra.
Como conta a supervisora da escola que também não quis se identificar, há três anos, desde que o aluno começou a estudar no colégio, ao perceber que ele era desinteressado e tinha um comportamento diferente, sempre muito agitado, os professores recomendaram à mãe que levasse o filho para fazer um acompanhamento com psicólogo.
A mãe, chamada pela direção do colégio após o acontecido, ficou apavorada. Ela conta que apesar do filho ser agitado, não é uma criança agressiva. E diz acreditar que o garoto reagiu daquela forma porque estava nervoso.''Meu filho precisa de ajuda. Ele nunca fez isso antes. Sei que ele precisa de um acompanhamento psicológico.''
De acordo com o presidente do Conselho Tutelar, Valdir da Silva, o garoto já havia sido, anteriormente, encaminhado pela escola ao conselho por ter dificuldade de concentração e de acompanhar o ritmo dos outros alunos durante as aulas. Silva acrescenta que o menino estava na fila de espera para ser encaminhado ao Núcleo de Apoio Psicosocial (Naps) ou para o Projeto Casa, que desenvolve trabalho voluntário de psicologia com crianças e adolescentes, para receber atendimento.
Sempre que alguma criança menor de 12 anos comete um ato infracional, o conselho tutelar é acionado para tomar providências. ''O nosso papel é proteger e garantir o direito da criança de permanecer na escola'', informa Silva. Além disso, o conselheiro enfatiza que apesar do tratamento especializado pelo qual a criança passa, é preciso analisar o contexto familiar em que ela vive. Segundo Silva, muitas vezes a reação da criança é apenas o reflexo do que ela vive.
Para a supervisora do colégio, ao mesmo tempo que o Conselho Tutelar, baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente pode ajudar, nos casos de indisciplina do aluno na escola esse organismo pode atrapalhar ao reforçar ao aluno apenas sobre seus direitos, esquecendo de informá-las também sobre seus deveres. ''Desta forma eles (alunos) acham que têm liberdade para fazer o que quiserem. Eles perdem o limite'', desabafa.
O Núcleo Regional de Educação de Londrina, preocupado com a situação de violência dentro das escolas, vem discutindo com os professores outras alternativas de postura educacional. Para a chefe do núcleo, Sandra Regina do Amaral, o que acontece hoje dentro da escola é um reflexo do que acontece na sociedade. ''Precisamos repensar a formação pedagógica para preparar nossos alunos para a vida'', afirma.


