Imagina-se que não há pecuarista acreditando que haja febre aftosa no Paraná, como afirmou ontem no começo da noite o Ministério da Agricultura e Pecuária. O foco estaria em São Sebastião da Amoreira, onde também entrou um lote de animais procedentes da região de Mato Grosso do Sul, tangida, em fim de setembro, pela presença da doença. Tal soa como inconsistente, parecendo coisa arranjada, porque na parte do mesmo gado que foi para o sul do Paraná nada se constatou. O que houve, a partir das suspeitas, foi uma investida do ministro Roberto Rodrigues para fazer crer que a doença estaria instalada nesse rebanho que aportou em fazendas paranaenses. Os exames atestaram que nada havia, mas o ministro insistiu que seriam necessárias novas análises. Passada a turbulência inicial, o Paraná foi, afinal, declarado isento da moléstia, mas sem a divulgação oficial dos laudos conclusivos e sem a suspensão das barreiras, no Paraná. Ontem os jornais publicaram, com base em informe do Ministério, que uma posição definitiva ocorreria no final do dia, porque a suspeição continuava. E o que se temia, aconteceu: o anúncio da existência da febre. Com tanta ânsia do ministro para encontrar algum foco do Paraná, a notícia chega de forma estranha. Os animais que se encontravam como ainda se encontram sob vigilância, em Amaporã, Maringá, Loanda e Grandes Rios, não apresentaram sintomatologia da aftosa, e surpreende que agora surja a informação de que, em animais do mesmo plantel, a moléstia foi detectada. Retomando os acontecimentos destes dois meses de expectativa, recorda-se da declaração do secretário estadual interino da Agricultura e Abastecimento, Newton Pohl Ribas, afirmando haver recebido informação de que o Ministério estaria levantando a suspeita de fraude na coleta de amostras, para análise, nas zonas paranaenses sob vigilância. Não se sabia então, como não se sabe ainda, dos interesses defendidos pelo ministro Rodrigues, mas supostamente as pressões tenham origem em outros pontos do País que estão se beneficiando com as barreiras impostas aos rebanhos do Paraná, e em organismos internacionais, especialmente europeus. O momento é grave e exige a ação do governador Roberto Requião, dos parlamentares do Paraná com assento no Congresso Nacional, dos deputados estaduais, das entidades ligadas à pecuária e das demais lideranças, para que os fatos se aclarem. Depois de tantos entrechoques de informações, da postura do ministro Roberto Rodrigues, a posição desta autoridade é colocada sob suspeita ante a notícia de ontem à noite sobre o anunciado foco de São Sebastião da Amoreira.

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