Adelar Motter

A construção de uma estrada interfere no terreno e na dinâmica natural de escorrimento superficial das águas da chuva. Por isso, precisa ser adequadamente planejada para não provocar erosão nas propriedades agrícolas vizinhas, nem ser destruída pelo escorrimento das águas das áreas de cultivo próximas.
O sucesso na recuperação e conservação de estradas rurais depende da sua integração a um bom sistema de conservação de solos nas microbacias onde estão inseridas. Para isso, há necessidade de um projeto técnico, desenvolvido por agrônomos especialistas no assunto. A adoção de grande parte das práticas de manejo e conservação de solos se dá nas propriedades rurais. O ideal seria que todos os agricultores as adotassem de forma integral e simultânea, conforme prescrição técnica, para que a estrada pudesse ser recuperada e mantida em boas condições, o que infelizmente é raro ocorrer.
Há uma variedade de tipos de solos, declividades e usos das terras agrícolas no Paraná (assim como em Londrina), portanto, uma gama de exigências técnicas de manejo e conservação dos solos adjacentes à estrada. Também são diversos os padrões tecnológicos de construção/acabamento do leito da estrada e sua integração na microbacia.
Um bom projeto de recuperação e manutenção de uma estrada, do ponto de vista técnico, de custo, etc., vai resultar da boa combinação dessas variáveis, algo que só pode ser feito por uma equipe multidisciplinar, composta por engenheiros agrônomos e civis, fiscais, operadores de máquinas capacitados e, especialmente, agricultores comprometidos.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) é o órgão responsável por fazer cumprir a Lei Estadual nº 8.014/1984, de 14/12/1984, a qual dispõe sobre a preservação do solo agrícola do Estado do Paraná. Ela fiscaliza e, flagrado o mau uso do solo, notifica e estabelece prazo para adoção das práticas corretas. Em última instância, encaminha a questão para a Justiça. Todavia, o desejável para todos é ter uma boa estrada o mais rápido possível. O caminho judicial seria o pior.
A adesão dos agricultores na implementação dos projetos e na manutenção da estrada ao longo do tempo, passa pela negociação e estabelecimento de parcerias entre os munícipes e as prefeituras. Entidades como sindicatos rurais, cooperativas, etc., devem ser envolvidos nas negociações. A constituição de comitês de usuários poderia garantir a longevidade da estrada. Sempre será indispensável uma boa legislação municipal sobre o tema.
Atualmente, a maioria das prefeituras adota a mesma solução para todas as estradas. Sem a presença de profissionais habilitados, são leigos e operadores de máquinas, sob a pressão de agricultores e políticos, que decidem o que fazer. Normalmente, o foco é apenas a estrada, sem considerar seu entorno agrícola. As águas externas comprometem o trabalho que não dura; a estrada despeja água nas terras mais baixas danificando-as e, pior de tudo, ninguém se sente responsável pela sua manutenção. Tida como de responsabilidade exclusiva da prefeitura, as estradas rurais têm representado alto custo político, social e econômico.

ADELAR MOTTER é engenheiro agrônomo em Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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